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2016-03-31

Os planos de Deus

"Porque sou eu que conheço os planos que tenho para vocês", diz o Senhor, "planos de fazê-los prosperar e não de lhes causar dano, planos de dar-lhes esperança e um futuro".Jeremias 29.11

Enquanto os falsos profetas afirmavam confiantemente que Judá ficaria livre da ameaça babilônica, Jeremias declarava, com a mesma convicção, que Jerusalém cairia e se renderia diante do exército babilônico. Evidentemente, Jeremias estava certo. A cidade caiu em 597 antes de Cristo, e os líderes da nação foram levados para o exílio na Babilônia.

Uma vez estabelecidos ali, Jeremias escreveu uma carta a todos os exilados, dizendo: "Construam casas e habitem nelas; plantem jardins e comam de seus frutos; casem-se e tenham filhos e filhas […]; busquem a prosperidade da cidade" (29.5-7). Eles não deveriam dar atenção aos sonhos dos falsos profetas, que afirmavam que em breve eles retornariam a Jerusalém. Somente quando se completassem setenta anos de exílio o Senhor cumpriria a sua promessa e os traria de volta.

Essa promessa que Deus fez aos exilados na Babilônia tem sido aplicada aos cristãos em situação de angústia e dor: "Eu conheço os planos que tenho para vocês", declara o Senhor, "planos de fazê-los prosperar e não de lhes causar dano, planos de dar-lhes esperança e um futuro" (v. 11). Vejamos três aspectos dessa promessa:

Deus tem planos para o seu povo. A vida não acontece por acaso. Para muitos, o curso da história é semelhante a pegadas de uma mosca bêbada numa folha de papel em branco. Mas não é assim. A vida não é aleatória, sem sentido ou absurda. Da mesma forma que Deus tinha planos para os exilados, ele tem planos para nós hoje.

Deus conhece bem os seus planos. Ele não necessariamente os divulga, mas certamente os conhece. Os pais costumam fazer planos para seus filhos antes mesmos de eles nascerem; assim também faz nosso Pai celestial.

Os planos de Deus são bons. Os exilados na Babilônia devem ter achado difícil crer nisso, mas Deus estava determinado a dar-lhes "esperança e um futuro". No Novo Testamento isso talvez corresponda a Romanos 8.28, onde somos assegurados de que todas as coisas cooperam para o nosso bem.

Para saber mais: Romanos 8.28-39

>> Retirado de A Bíblia Toda, o Ano Todo [John Stott]. Editora Ultimato.

2016-03-30

Se o Senhor quiser...

Jesus desceu da montanha com os aplausos da multidão ainda soando nos ouvidos. De repente, apareceu um leproso, que se ajoelhou diante de Jesus e pediu: "Mestre, se o senhor quiser, pode me purificar". Jesus estendeu a mão, tocou o leproso e disse: "Quero! Fique limpo!". Todos os sinais da lepra desapareceram na hora. Jesus, então, lhe disse: "Não diga nada a ninguém. Apenas se apresente ao sacerdote, para que ele confirme a cura, e leve a oferta de gratidão a Deus, ordenada por Moisés. Que sua vida purificada e grata, não suas palavras, dê testemunho do que eu fiz". Mateus 8.1-4

O leproso é o necessitado in extremis: alguém à parte, solitário, a quem se evita. Contudo, nenhuma condição de indigência é tão extrema ou tão absoluta a ponto de fazer que nos entreguemos ao desespero. Há esperança em Deus. A aproximação, tímida e hesitante – "se o Senhor quiser" –, encontra, inesperadamente, um desejo ousado e otimista de salvar: "Quero".

O que havia de tão ruim em ser um leproso?

Quero purificação, querido Cristo, tanto quanto aquele leproso. Mas à tua maneira, o que quiseres. Não quero que minha vida seja moldada por minhas exigências, mas pelo movimento certo, porém misterioso, de tua graça. Amém.

>> Retirado de Um Ano com Jesus [Eugene H. Peterson]. Editora Ultimato.

2016-03-29

As leis de Deus apontam o caminho

Pois a Lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por intermédio de Jesus Cristo. — João 1.17

As leis dadas por intermédio de Moisés são leis de Deus. Junto com os Dez Mandamentos, elas apontam a direção certa, mostram a melhor forma de viver e falam sobre justiça e vida eterna. As leis de Deus são como um dedo que aponta o caminho correto. Dedos são uma parte útil do corpo. Entretanto, se você não tiver também pés ou um veículo, nunca poderá chegar à estrada certa. Um dedo pode apontar-lhe a direção correta, mas não pode levá-lo até lá.

De modo semelhante, as leis de Deus lhe dizem o que e como ele deseja que seja feito. Elas atestam que você é incapaz de obedecê-las. Tais ordenanças mostram como realmente é a natureza humana – o que ela pode fazer e o que não pode. Elas foram dadas a você para revelar os seus pecados, mas não têm o poder de libertá-lo deles ou de ajudá-lo a se livrar deles. Os mandamentos divinos seguram um espelho à sua frente; ao olhar para eles, você percebe que não tem vida nem aprovação de Deus. O que você vê no espelho o força a clamar: "Vem, Senhor Jesus Cristo, ajude-me e dê-me da sua graça para que eu possa fazer o que a sua lei exige!".

>> Retirado de Somente a Fé – Um Ano com Lutero. Editora Ultimato.

2016-03-28

É pecado ficar parado

Comete pecado a pessoa que sabe fazer o bem e não faz. (Tg 4.17)

Parece uma coisa nova: "saber o que é certo e não fazer é pecado". Não, não é nenhuma novidade, pelo menos para os leitores de Tiago. Ele já havia dito a mesma coisa em outras palavras: "A fé é assim: se não vier acompanhada de ações, é coisa morta" (2.17). Tanto o sacerdote como o levita sabiam que, pelo menos em nome da religião, deviam parar na descida da serra entre Jerusalém e Jericó para socorrer aquele homem deixado na estrada pelos que o haviam assaltado. Mas não o fizeram e, portanto, cometeram pecado. O terceiro viajante que passava pelo mesmo caminho não cometeu pecado, porque o socorreu (Lc 10.31-35). Esse tipo de pecado é chamado deomissão, e ele é muito mais comum do que se pensa.

Parece que os próprios teólogos chamam mais atenção para o pecado de transgressão do que para o pecado de omissão. Eles dizem que pecado é uma "rebelião contra as normas de Deus", "uma energia de reação irracional negativa e rebelde contra Deus" ou uma "quebra da lei de Deus". Jesus ensinou o mesmo que Tiago quando falou sobre o empregado que sabe o que o patrão quer e o empregado que não sabe. O primeiro, se não faz a sua obrigação, quando o patrão chegar será muito castigado; o segundo, não sabendo o que o patrão quer e faz algo errado, receberá um castigo mais brando. Por quê? Porque o mais castigado sabia o que tinha que fazer e não fez. O menos castigado não sabia e, por isso, não poderia acertar (Lc 12.47-48).

Estando providencialmente na posição estratégica de tomar sobre si a responsabilidade de levar o marido a evitar o morticínio já decretado dos judeus, a rainha Ester, caso não o fizesse, estaria enquadrada no pecado mencionado por Tiago (Et 4.16).

Preguiça, comodidade, negligência e omissão são pecados!

>> Retirado de Refeições Diárias com os Discípulos. Editora Ultimato.

2016-03-27

Orgulho diabólico

O orgulho verdadeiramente diabólico aparece quando você olha para os outros com superioridade e não se importa com o que eles pensam de você. É claro que é certo, e muitas vezes é o nosso dever, não ligar para o que as pessoas pensam de nós, se o fizermos pelo motivo justo; isto é, porque estamos muito mais preocupados com o que Deus pensa. Acontece que o homem orgulhoso tem uma razão diferente para não se importar. Ele diz: "Por que eu deveria preocupar-me com o aplauso daquela gentalha, como se a opinião dela valesse alguma coisa? E se valesse, seria eu aquele tipo de homem que ruboriza de prazer diante de um elogio, ou alguma garotinha em sua primeira dança? Não, eu tenho uma personalidade formada, adulta. Tudo o que eu fiz até hoje foi para satisfazer os meus próprios ideais, ou a minha consciência artística, ou as tradições da minha família, ou então, porque eu sou assim mesmo. Se essa turma aprecia o que fiz, tudo bem. Eles não significam nada para mim". Dessa maneira, o orgulho pode até agir como exterminador de vaidades; pois, como eu disse há pouco, o Diabo adora "curar" um pequeno defeito, presenteando você com um grande. Devemos procurar não ser vaidosos, mas nunca devemos nos fazer valer do nosso orgulho para curar a nossa vaidade.

>> Retirado de Um Ano com C. S. Lewis, Editora Ultimato

2016-03-26

Um mundo novo

"Assim como os novos céus e a nova terra que vou criar serão duradouros diante de mim", declara o Senhor, "assim serão duradouros os descendentes de vocês e o seu nome". Isaías 66.22

Os olhos proféticos de Isaías agora examinam o futuro e se concentram na missão universal da igreja (v. 18-21) e na restauração final do universo (v. 22-24). Quanto à missão cristã, o profeta destaca três aspectos. Primeiro, seu campo de ação inclui todas as nações. Nos versículos 18-20 encontramos quatro referências a um "ajuntamento de todas as nações". Segundo, seu motivo (o fator que desencadeia a ação) é a rejeição ao evangelho por parte de Israel. Lucas afirma esse fato no livro de Atos em quatro situações distintas. Corresponde à visão do apóstolo Paulo unindo judeus e gentios em Cristo. Terceiro, o objetivo da missão cristã é a glória de Deus (v. 18-19), proclamada pelos missionários e vista e reconhecida através de seus discípulos.

A partir do verso 22, o profeta avança rapidamente para o fim da história, quando Deus criará um novo céu e uma nova terra. Ele já havia se referido a isso no capítulo anterior (65.17) e mais tarde Jesus e seus apóstolos repetirão esta mesma profecia (Mt 19.28; 2Pe 3.13; Ap 21.1, 5). Duas características se destacam aqui. A primeira é que esse novo universo será em parte material, uma vez que incluirá uma nova terra, transformada e glorificada. Mais tarde, Paulo irá escrever que a própria natureza criada será libertada da escravidão em que se encontra (Rm 8.18-25). Assim como nossos corpos ressuscitados desfrutarão ao mesmo tempo da continuidade e da descontinuidade com esses corpos, o novo céu e a nova terra desfrutarão dessa mesma continuidade e descontinuidade. A segunda é que o novo céu e a nova terra irão permanecer tanto quanto seus habitantes. Somente aqueles que deliberadamente se rebelarem contra Cristo serão destruídos (como o lixo entregue ao depósito fora de Jerusalém [Is 66.24]).

Essas duas ênfases (missão universal e restauração definitiva) estão vinculadas ao ensino de Jesus, pois ele ordenou que levássemos o evangelho até os confins da terra, e só então viria o fim. Os dois fins irão coincidir. Enquanto isso, o intervalo entre a primeira e a segunda vinda de Cristo deve ser preenchido pela obra missionária da igreja por todo o mundo.

Para saber mais: 2 Pedro 3.1-13

>> Retirado de A Bíblia Toda, o Ano Todo [John Stott]. Editora Ultimato.

2016-03-25

Caminho difícil

Não procurem atalhos para Deus. O mercado está transbordando de fórmulas fáceis e infalíveis para uma vida bem-sucedida que podem ser aplicadas em seu tempo livre. Não caiam nesse golpe, ainda que multidões o recomendem. O caminho para a vida – para Deus! – é difícil e requer dedicação total. Mateus 7.13-14

A fé não é um acúmulo de impulsos vagos normalmente propensos para o bem, nem é o alimento de obscuras emoções de devoção. É escolher atravessar uma determinada porta ("Eu sou a porta", Jo 10.7) e percorrer uma estrada definitiva ("Eu sou o caminho", Jo 14.6).

O que é difícil ou exigente para você em se tratando da porta estreita?

Senhor Jesus, tu és meu caminho, verdade e vida. Conduze-me pela porta estreita que leva à vida plena, pelo lugar da firme decisão à terra de ricas bênçãos. Amém.

>> Retirado de Um Ano com Jesus [Eugene H. Peterson]. Editora Ultimato.