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2015-11-03

Desistir jamais!


Desistir jamais!

Grande parte da vitória é não desistir. Naqueles momentos que a pressão revela-se insuportável, as incertezas ameaçam o que lhe é mais precioso e parece não haver possibilidade de avanço ou sucesso, torna-se imperativo resistir.

A intransigente decisão de não desistir é responsável, em grande parte, pela vitória. Assim Moisés não desistiu perante o mar e o deserto. Josué não retrocedeu diante da fortificada Jericó. Davi perseverou após perder família, cidade e amigos. Somos chamados em Cristo para – impulsionados pela mistura da fé com a esperança – não desistir jamais.

Esta resistência perante o dia mau seria apenas uma decepcionante teimosia humana se não fosse a promessa de Deus. É pela promessa do Altíssimo que vivemos e perseveramos.  Ele prometeu que não estaremos sozinhos um dia sequer das nossas vidas (Mt 28.20); prometeu que todas as coisas (mesmo as mais indesejadas) irão colaborar para o bem daqueles que o amam (Rm 8.28); prometeu uma alegria matutina após noites escuras (Sl 30.5); prometeu que ao fim desta vida haverá um lugar sem angústia ou desespero (Ap 21.14); prometeu que as lágrimas dos que saem semeando se tornarão em alegria perante os frutos (Sl 126.5); prometeu que, mesmo diante das mais terríveis hostes diabólicas, toda corrupção do mundo e do próprio coração, nenhuma força conseguirá nos afastar do seu amor (Rm 8.38,39). E aquele que fez a promessa é fiel.

Em uma recente viagem à Turquia fiquei atônito pela indescritível situação dos refugiados. Olhares desolados contrastam com pés que seguem caminhando. Os milhões que fogem da insana guerra síria e se espremem nas fronteiras da Europa movem-se por uma pálida esperança. Seja de uma vida em solo pacífico, alimento sobre a mesa, educação para os filhos ou simples sobrevivência.

Os olhares parecem anestesiados de exaustão, mas os pés seguem caminhando na expectativa de alguma luz. Esperança, mesmo em situações improváveis, gera grande força para seguir em frente. Desde a queda de nossos pais, seguida da misericordiosa promessa de Deus – um que "pisaria a cabeça da serpente" – a esperança tornou-se uma necessidade vital e diária para o viver humano.

Ao enfrentar o dia mau, lembre-se que a nossa esperança é viva, real e está entre nós – Jesus! Ele nos levará por caminhos inesperados até o dia em que veremos o inimaginável esplendor de Deus. Se você nada mais consegue fazer, resta-lhe não desistir, renovado pela convicção de que o choro pode durar uma noite, mas a alegre manhã está chegando.

::Ultimato

Cristianismo, Puro E Simples


Cristianismo, Puro E Simples
// irmaos.com

Qual de vós terá um amigo, e, se for procurá-lo à meia-noite, e lhe disser: Amigo, empresta-me três pães, pois que um amigo meu chegou a minha casa, vindo de caminho, e não tenho que apresentar-lhe; Se ele, respondendo de dentro, disser: Não me importunes (Lucas 11:5-7). Que comentário breve, intencional e incisivo é este sobre a relutância humana por ser incomodada quando já tem providenciado tudo para seu descanso! O homem havia fechado a porta, ele e sua família tinham ido para cama. Não gostamos de ser incomodados, seja quando temos nos retirado para o círculo de nosso prazer pessoal, ou quando não temos nenhum desejo de ser chamados.

O nosso bendito Senhor Jesus Cristo nunca foi assim. Ele nunca murmurou por causa do constante incomodo da humanidade necessitada. Ele "andou fazendo bem, e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele" (Atos 10:38). Sua comida e bebida eram fazer a vontade dAquele que O enviou e realizar a sua obra (Jo 4:34). A porta do Senhor sempre está aberta, a fim de que todos sejam bem-vindos, incluindo os mais desprezíveis, culpados e necessitados pecadores. Como um dom gratuito de sua graça, todos podem ter perdão e paz, justiça e vida eterna, o céu a glória eterna.

E agora, leitor cristão, permita uma palavra de exortação. Lembre-se que Cristo é sua vida, e que o cristianismo não é nada mais que a exibição viva de Cristo em seu andar diário. Não é um conjunto de interpretações das Escrituras a ser defendido, ou uma coleção de ordenanças a ser observada. O apóstolo Paulo expressou o que a vida cristã era quando disse: "Porque para mim o viver é Cristo" (Filipenses 1:21). Isto é cristianismo! Que o conheçamos e manifestemos o seu poder!
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2015-11-02

O consolo é maior que a perda


O consolo é maior que a perda
// Lagoinha

Quando o assunto diz respeito à morte, se vê de quase tudo. Os mais temorosos batem três vezes à madeira e prosseguem a superstição com a frase "Isola", ou "Misericórdia", como se no rito houvesse poder para afastar o inevitável. Outros preferem fugir ao assunto, trazendo a roda de conversa temas ligados ao futebol ou algum assunto banal, onde todos possam discorrer sem ter que refletir sobre a existência. Sim! A morte traz em pauta a vida. E há aqueles, cuja trajetória já se encontra registros de algumas visitas daquela que ninguém deseja encontrar, talvez um amigo ou um familiar não mais presente.

Como diria muito bem o dito popular "Cedo ou tarde, a morte chega", resta decidir como ela será enfrentada. Alguns não souberam muito bem reagir a este fim, e a dor, que deveria ser passageira ou vivida por um período, permaneceu como uma árvore que cresce próximo demais da casa. É como se a cada dia que passa ela invadisse mais a obra, prometendo lentamente levá-la ao chão.

Abordo esse assunto, porque sou uma das pessoas que tive o desprazer de encontrá-la cedo demais. A dor acabou se tornando uma companhia bastante indesejável. Houve dias de luto, em que a minha existência parecia ter perdido o sentido e que o único desejo era poder reencontrar novamente aquele que não estava mais presente. Entretanto o fato da dor chegar, não significa que tenha que ficar. No dia em que encontrei a Presença que era maior do que a dor. Ela teve que ir.

Deparei-me com Jesus de uma forma tão íntima e verdadeira que o que afligia e me fazia sofrer, tornou-me ainda mais forte. Percebi que na minha fraqueza, o poder de Deus reluzia. Ao permiti-lo, sem reservas, em minha vida tive a convicção de que a Vida é maior que a Morte.

Há vezes que queremos nos apegar ao sentimento de tristeza pelos que se foram, como se essas atitudes demonstrassem amor à memória dos entes queridos, mas a verdade é que não há amor no luto, apenas solidão e tristeza. Permita que o Espírito Santo faça em você o que Ele é perito: consolar.

::Érica Fernandes

Evite as contendas


Evite as contendas
// Lagoinha

"O cobiçoso levanta contendas, mas o que confia no Senhor prosperará" (Provérbios 28.25).

Provavelmente, em 80% dos lugares que visitamos com nosso ministério, há membros de igreja que estão envolvidos com contendas. A contenda é a ferramenta do diabo contra nós. Exige autocontrole pessoal permanecer fora de contendas.

Se você quer manter a paz, não poderá sempre dizer tudo que tem vontade de dizer. Algumas vezes você terá de controlar-se e desculpar-se mesmo quando não tiver vontade alguma de fazê-lo. Mas, se você semear o divino princípio da harmonia e unidade hoje, chegará um tempo em que colherá as bênçãos decorrentes disso.

2015-11-01

Caminhe em integridade


Caminhe em integridade
// Lagoinha

"Retribui-me o Senhor, segundo a minha justiça (minha integridade e sinceridade conscientes diante dele), recompensou-me conforme a pureza das minhas mãos" (Salmos 18.20)

Falar sobre a Palavra não é suficiente; precisamos praticar aquilo que dizemos crer. Deus nos abençoará se formos pessoas íntegras. Como cristãos, precisamos manter nossas promessas de fazer o que dissemos que faríamos.

Procure formas de demonstrar sua integridade hoje. Se você não pode prosseguir com algo com o qual se comprometeu, ao menos telefone ou escreva uma carta dizendo: "Por favor, perdoe-me; eu não estava sendo dirigido por Deus e não posso continuar a fazer aquilo que disse". Dessa forma, você ainda honrará a Deus e manterá seus passos na direção certa.

Evite a arrogância

Se vivemos pelo Espírito, andemos também pelo Espírito. Não sejamos presunçosos, provocando uns aos outros e tendo inveja uns dos outros. — Gálatas 5.25-26

Deveríamos saber que os aplausos que recebemos não se dirigem a nós, mas a Cristo, a quem pertencem todo o louvor e a honra. Ensinar de maneira piedosa ou viver de forma santa não são méritos nossos, mas de Deus. Assim, não somos nós que estamos sendo louvados, mas Deus em nós. Afinal, "o que tens que não tenha sido recebido?" (1Co 4.7). Se reconhecermos isso, não sairemos da linha nem nos tornaremos orgulhosos, mas daremos a glória a Deus. Nós também não vamos desistir do nosso chamado por causa de abuso, desgraça e perseguição. Por sua graça especial Deus cobre a nossa glória com vergonha e com os amargos ódio, perseguição e blasfêmia do mundo. Além disso, enfrentamos desprezo e ingratidão dos nossos próprios seguidores – camponeses, cidadãos e nobres. A animosidade e a perseguição deles ao evangelho, apesar de ocultas e internas, são mais prejudiciais do que inimigos que perseguem abertamente. Deus permite essas dificuldades para que nós não nos tornemos orgulhosos dos nossos dons, para que não sejamos infectados pela praga da honra própria.

Certamente muitos dos nossos discípulos nos honram porque estamos em posições oficiais de pregadores. Contudo, para cada um que nos honra existem centenas que nos odeiam, desprezam e perseguem. A blasfêmia e perseguição dos nossos oponentes, associadas ao desprezo, à ingratidão e ao ódio secreto dos nossos próprios seguidores, nos deleita tanto que facilmente nos esquecemos de tudo que se relaciona à glória pessoal. Como resultado, nós nos regozijamos no Senhor e nos mantemos na linha.

>> Retirado de Somente a Fé – Um Ano com Lutero. Editora Ultimato

Por uma Reforma na Igreja Brasileira


Por uma Reforma na Igreja Brasileira
// irmaos.com

Enquanto comemoramos e refletimos a respeito da Reforma Protestante, uma pergunta ainda nos resta: Será que a Igreja Brasileira não precisa passar por uma reforma? Será que não precisamos voltar às escrituras, ao Cristo ressurreto, ao evangelho?

Já não basta mais relembrar a história, a teologia e a mensagem da Reforma Protestante se nós não estamos dispostos a batalhar pela Reforma da igreja brasileira hoje. A única razão que nos faz olhar para o passado e relembrar nossas raízes é nos preparar para lutarmos no presente por uma igreja centrada em Cristo no futuro.

É por isso que nesse post, deixo dois comentários a respeito da igreja Brasileira feitos por teólogos brasileiros a necessidade de uma reforma genuína para Nossa Igreja Brasileira.

Para Onde Caminha a Igreja Brasileira? por Franklin Ferreira

Espanta-me nos debates teológicos recentes a falta de referências à Escritura. Alguns escritores propõem revisões radicais e, na maioria das vezes, em ruptura com a tradição cristã na doutrina de Deus e da salvação sem a menor preocupação em remeter seus leitores (ou, pelo menos, suas tribos ou guetos) para a Escritura - que, pelo menos em anos recentes, era tomada como a incondicional Palavra de Deus por aqueles que se identificavam como cristãos.

Mesmo debates básicos, como sobre aspectos da ética cristã, são pautados não mais pela Escritura, mas pela mera opinião pessoal ou, no melhor espírito de manada, por seguir cegamente a opinião do líder. Vai-se assumindo que a Escritura pode até ser um livro importante, uma coletânea de bons conselhos, ou mesmo que contenha uma mensagem vagamente piedosa em meio a histórias de guerras, traições e matanças, mas que, finalmente, por meio de nossa razão ou intuição, podemos alcançar e descobrir Deus acima e além da Escritura. Isso não é novo. É o mesmo esforço religioso e idolátrico presente na construção da torre de Babel. E o relato bíblico é claro: Deus despreza a ação religiosa, bagunçando-a e repelindo-a, posto ela ser somente isto: esforço e idolatria.

Mas, para os cristãos, quando as Escrituras falam, é Deus mesmo quem fala, e fala a nós.Deus dixit! Dominus dixit! E nas Escriturasaprendemos que, do começo ao fim, é o Senhor Deus Todo-poderoso quem busca os seus, por pura misericórdia, em Cristo Jesus.

Antigamente, os fundamentalistas usavam a Escritura como texto-prova (dicta probantia). Podiam praticar uma hermenêutica literalista ou ingênua. Mas havia uma genuína preocupação em citar o texto bíblico, de remeter seus ensinos para a Escritura. Hoje, nem isso. De um lado, a invasão dos métodos críticos na interpretação da Escritura supostamente tornou sem razão afirmar algo a partir das Escrituras, já que esta, para muitos dos que seguem tais metodologias - não é mais inspirada, mas mero produto humano.

Do outro lado, as supostas novas revelações ligadas aos bispos e apóstolos neopentecostais tornaram a Escritura um mero acessório em suas comunidades. Por isso, no âmbito eclesiástico, basta unir alguns chavões piedosos à linguagem religiosa e qualquer ideia passará facilmente por "cristã". E os fiéis a seguem, sem nem mesmo se preocuparem em examinar "as Escrituras todos os dias para ver se as coisas eram, de fato, assim" (Atos 17.11).

A nobreza foi perdida. Por isso, o que se tem é o ressurgimento do velho gnosticismo, mais uma vez tentando se parecer com o cristianismo. Mas gnosticismo não é cristianismo. Na medida em que a igreja brasileira loucamente tenta colocar de lado o "bendito e único Soberano, o Rei dos reis e Senhor dos senhores; o único que possui imortalidade, que habita em luz inacessível" (1Tm 6.15-16), uma nova casta sacerdotal vai surgindo, com seus apóstolos e bispos endinheirados, e com certos eruditos que constantemente precisam apelar à falácia do argumento magister dixit, enquanto se agarraram às teorias críticas do século 19 como se fossem a última moda teológica, todos igualmente caricatos e bufões.

E vive-se o absurdo em que abandonar a Escritura, desprezar a igreja, transformar Jesus num curandeiro ou mestre inofensivo é ser de vanguarda, mas qualquer crítica feita a essa nova classe sacerdotal, grandemente responsável por essa doença, equivale à blasfêmia, atraindo a ira e a revolta de seus cegos seguidores, que se juntam em correntes de ódio.

E nisso novas ideias tentam tomar o lugar da reta doutrina, do puro evangelho - podem ser o pelagianismo, a mensagem da prosperidade, o teísmo aberto ou o marxismo cultural, que tomou de assalto todas as esferas da sociedade, que anseia por inaugurar um suposto milênio na Terra, a utopia totalitária do "outro mundo possível".

Tristemente, alguns cometem a alucinada infâmia de tentar misturar a absoluta Palavra de Deus em Jesus Cristo com uma ideologia corrupta e corruptora, o sistema de ideias mais assassino da história. Em sua loucura, todos esses pervertem a mensagem cristã, seguindo não mais o evangelho, mas correndo atrás de outro tipo de anúncio (ετερον εuαγγέλιον), mera perversão ou caricatura, não mais a boa-nova da salvação de Deus em Cristo, que justifica, redime, reconcilia e adota ímpios pela fé somente, regenerando-os por meio da obra do Espírito Santo.

A mensagem para esses que abandonaram a pura Palavra de Deus é: "Ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema. Assim, como já dissemos, e agora repito, se alguém vos prega evangelho que vá além daquele que recebestes, seja anátema" (Gl 1.8-9).

Tristemente, o veredito de Bonhoeffer sobre o cristianismo nos Estados Unidos do fim da década de 1930 descreve com exatidão os evangélicos no Brasil: Deus não concedeu ao cristianismo americano nenhuma reforma. Ele lhe concedeu vigorosos pregadores reavivalistas, pastores e teólogos, mas nenhuma reforma da igreja de Jesus Cristo por meio da Palavra de Deus. Qualquer coisa das igrejas da Reforma que chegou à América ou está em exclusão consciente e afastada da vida geral da igreja ou foi vítima do protestantismo sem reforma- A teologia americana e a igreja americana como um todo nunca foram capazes de compreender o significado da "censura" pela Palavra de Deus e tudo o que isso significa. Do primeiro ao último, eles não entendem que a "censura" de Deus toca até mesmo a religião, o cristianismo da igreja e a santificação dos cristãos, bem como que Deus fundou sua igreja para além da religião e para além da moralidade. Um sintoma disso é a adesão geral à teologia natural. Na teologia americana, o cristianismo ainda é essencialmente religião e moralidade.

Por causa disso, a pessoa e a obra de Cristo, na teologia, vão permanecer em segundo plano e, por longo tempo, ficar incompreendidas, porque não são reconhecidas como o único fundamento do julgamento e do perdão radical.

A principal tarefa na atualidade é o diálogo entre o protestantismo sem reforma e as igrejas da reforma.

Dietrich Bonhoeffer, Protestantism without the Reformation, em Edwin H. Robertson (org.), No Rusty Swords: Letters, Lectures and Notes, 1928-1936 (Londres: Collins, 1965), p. 92-118.

A crítica desse mártir sobre o cristianismo nos Estados Unidos está essencialmente correta e se aplica integralmente a nós, hoje, no Brasil.

Em resumo, para grande parte dos evangélicos brasileiros, o cristianismo é essencialmente sobre o que se faz para Deus. E é justamente nesse ponto que rompemos totalmente com a fé bíblica redescoberta na Reforma, pois esta enfatiza e ensina somente o que Deus faz por nós por meio do Cristo crucificado, dando prioridade à graça livre e soberana, agindo em meio ao nosso pecado, vício e escravidão existencial, redimindo-nos e tornando-nos novas criaturas.

A mensagem do evangelho não é um recurso para melhorar nossa autoestima ou para nos ajudar a ascender socialmente, ou fazer a igreja crescer em cinco passos ou qualquer outra coisa desse gênero; é sobre ouvir e crer na mensagem revelada na Escritura sobre a graça de Deus em Cristo crucificado; é sobre nossa morte e ressurreição, nossa morte e ressurreição diárias, enquanto aguardamos novos céus e nova Terra.

Por que a Igreja Brasileira Precisa de uma Nova Reforma? por Hernandes Dias Lopes

A Reforma Protestante do Século XVI foi o maior movimento na igreja cristã depois do Pentecostes. Não foi uma inovação, mas uma volta ao cristianismo puro e simples, uma retomada da doutrina apostólica, um retorno às Escrituras. A igreja cristã havia se desviado da verdade, e introduzido doutrinas e práticas estranhas às Escrituras. O culto às imagens, a mediação dos santos, a veneração a Maria, a salvação pelas obras, o confessionário, o purgatório, as reliquias, as indulgências e a infalibilidade papal foram desvios gritantes que encontraram guarida na igreja. Urgia uma Reforma, e Deus preparou o momento e as pessoas certas para essa volta às Escrituras.

No dia 31 de Outubro de 1517, o monge agostiniano Martinho Lutero, fixava nas portas da igreja de Wittenberg suas noventa e cinco teses contras as indulgências, deflagrando, assim, esse decisivo movimento.

Hoje, ao olharmos o cenário religioso brasileiro constatamos que a igreja evangélica precisa de uma nova Reforma. Desviamo-nos do caminho da ortodoxia. As verdades essenciais da fé evangélica estão ausentes de muitos púlpitos chamados protestantes.

Novidades forâneas às Escrituras têm sido introduzidas nas igrejas sob a conivência de uns e o silêncio de outros. A igreja protestante já não protesta mais.

Somos chamados de evangélicos, mas o puro evangelho está escasseando em muitas igrejas. Temos influência política, mas falta-nos autoridade moral. Temos poder econômico, mas falta-nos poder espiritual. Temos um explosivo crescimento quantitativo, mas falta-nos o crescimento qualitativo.

Precisamos de uma nova Reforma.

Alistaremos a seguir três motivos que exigem uma nova Reforma já.

1. Porque o liberalismo teológico tem assaltado muitas igrejas em nossa Pátria - O mesmo liberalismo que devastou as igrejas na Europa, e na América do Norte chegou às terras brasileiras, e seu fermento maldito está presente em muitos seminários, e este veneno letal tem sido espalhado das cátedras para os púlpitos e dos púlpitos para os crentes e assim, muitas igrejas já não crêem mais na inerrância e suficiência das Escrituras.

Em consequência desse colapso espiritual há algumas igrejas que defendem um concubinato espúrio entre cristianismo e evolucionismo, negando a realidade da criação, conforme registrada em Gênesis 1 e 2.

2. Porque o misticismo sincrético tem invadido muitos arraiais evangélicos -Temos visto a igreja evangélica brasileira capitular-se ao misticismo pagão. O verdadeiro evangelho está ausente de muitos púlpitos. Prega-se sobre prosperidade e não sobre salvação. Prega-se sobre curas e milagres e não sobre arrependimento e novo nascimento. O lucro substituiu a mensagem da salvação em muitas igrejas. Temos visto igrejas se transformando em empresas, o púlpito em balcão, o evangelho num produto e os crentes em consumidores. Além desse descalabro, muitas crendices têm substituído a verdade em não poucas igrejas. Esses crentes incautos têm se alimentado do farelo do sincretismo em vez de serem nutridos pelo Pão da Vida. Há crentes que olham para a Palavra de Deus como um livro mágico e consultam a Bíblia como se ela fosse um horóscopo. Há aqueles que colocam um copo d"água sobre o aparelho de televisão, enquanto o suposto homem de Deus ora, pensando que essa água "benzida" tem poder extraordinário.

Essas práticas não são bíblicas e devem ser reprovadas. Urge certamente uma nova Reforma.

3. Porque muitas igrejas se acomodaram a uma ortodoxia morta - A Reforma restaurou não apenas a supremacia das Escrituras e a primazia da pregação, mas também, enfatizou a necessidade de uma vida piedosa. Não podemos separar a teologia da vida; a doutrina da prática; a ortodoxia da piedade. Não basta conhecer a verdade, precisamos ser transformados por essa verdade.

Na Igreja Reformada encontramos teologia pura e vida santa.
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