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2015-08-18

As vozes das ruas e nossa lição de casa


As vozes das ruas e nossa lição de casa

Ruas de 205 cidades foram ocupadas no último fim de semana por milhares de brasileiros insatisfeitos com o governo federal e com a corrupção. Colunistas dos jornais de hoje apontam as tendências do "jogo" político num país que quase sempre toma as decisões "por trás dos panos". A maioria desses colunistas acha democrático o que ocorreu, mas duvida que o cenário político mudará muito drasticamente. As redes sociais continuam sendo depositórios de quem defende sua posição, mas com pouca gente interessada em atravessar a "ponte" em direção ao outro que não concorda.

O Brasil está cada vez mais respirando política – para o bem ou para o mal. As bandeiras são muitas. Um manifestante carregava um cartaz que dizia: "Não se trata de direita contra esquerda, não se trata de ricos contra pobres, é a nação contra a corrupção!". Algumas das frases mais vistas em faixas eram: "Impeachment já!" e "Fora, Dilma". Mas nos muros de São Paulo também era possível encontrar os dizeres: "abaixo o golpe, impeachment não!".

A despeito das guerras simbólicas polarizadas ou maniqueístas, o que cabe a cada cristão diante do atual cenário político e democrático? Não há respostas prontas, mas também não podemos deixar de buscá-las. Aqui vão algumas "placas de sinalização":

1. Julgar, com discernimento bíblico, e além das manchetes de jornais. A Bíblia fala bastante sobre a natureza humana e sobre a vontade de Deus para a humanidade. Por que então não falaria sobre política? Ou seja, sobre como o ser humano deve lidar com o poder, com a justiça e com a nação em que vive, produz e serve? A formação da nação de Israel, a briga pelo poder no período dos reis, as vozes dos profetas, a fidelidade dos discípulos de Cristo a despeito do abuso de poder romano e do "culto a César", e a espera por "novos céus e nova terra, em que habita a justiça" (2 Pe 3.13). Tudo isso nos faz buscar o discernimento de Deus para o momento atual e se torna ingrediente essencial para tal.

2. Envolver-se, sem cair em tentação. Se há 20 anos, líderes evangélicos como Robinson Cavalcanti, reclamavam da ausência dos evangélicos na política, hoje, devemos nos perguntar: como temos nos envolvido? Nossa participação política tem ajudado a sociedade a discernir a verdade da mentira, a ética da desonestidade, a busca pelo poder da busca pela justiça? Ou temos sido meramente "mundanos" (no sentido antigo da palavra: influenciados pelo sistema pecaminoso do mundo e pela carnalidade humana)? Temos buscado a unidade da Igreja, enquanto lutamos por uma nação mais justa? E temos lutado por uma nação mais justa, enquanto buscamos a unidade da Igreja?

3. Assumir voz profética, sem perder o senso do chamado encarnacional. Deus nos chama para anunciarmos sua justiça e lamentarmos a corrupção e o engano, como bem fizeram os profetas, com coragem, com inconformismo, com temor ao Senhor, com integridade. Mas também ele nos chama para sermos "cartas vivas" (2 Co 3.2,3), "bom perfume" (2 Co 2.15) e assumirmos o chamado encarnacional de Jesus Cristo (Fp 2). Isso é bíblico, mas não é fácil. Exige de nós bem mais do que, em geral, temos feito. Frases prontas ou discursos filosóficos elaborados não são suficientes. Precisamos assumir – como cristãos e como igreja – a tarefa de ir até aos outros, de ouvir atentamente suas vozes, de ponderar respostas sinceras, de renunciar nossa carnalidade, de assumir bandeiras justas, de orar pela situação da nossa nação, de doar financeiramente para projetos justos, de ser sensível ao vento do Espírito e de lutar pela reconciliação da igreja e do mundo.

4. Renovar o compromisso com Jesus Cristo. O que isso tem a ver com política? Tudo. Jesus é o fundamento (1 Co 3.11) e o autor e consumador da nossa fé (Hb 12.2). Em Cristo, nosso olhar sobre a realidade se sensibiliza, mas não é manipulado; se aprofunda, mas não perde a esperança. Se por um lado, Cristo escancarou a miséria do coração humano, sendo ele mesmo a vítima desta miséria, por outro lado, Cristo anunciou a esperança, sendo ele mesmo o caminho para a redenção. Em Cristo – sua encarnação, sua ética, sua piedade, seu sacrifício vicário, sua revelação – somos mais do que indivíduos corretos, somos o povo da esperança, que, com humildade, assume sua responsabilidade no mundo. Nem sempre com respostas, mas sempre com sinceridade e compaixão.

Faça o seu dever de casa e coloque a boca no trombone.

Adaptação: Lagoinha.com

:: Editorial – Ultimato

Deixe Deus guiar os outros


Deixe Deus guiar os outros

"Com efeito, dos que em ti esperam (confiam e aguardam esperançosamente), ninguém será envergonhado; envergonhados serão os que, sem causa, procedem traiçoeiramente" (Salmos 25.3)

Nosso dia poderia ser melhor se todos simplesmente fizesse o que lhes dizemos para fazer. Mas Deus não esmaga a vontade das pessoas, e nem nós podemos fazê-lo. Em vez de tentar controlar as pessoas, ore para que elas "ouçam" a direção de Deus.

Se alguém persiste em fazer algo do seu próprio jeito hoje, mostre sua confiança em Deus não interferindo. Você pode perceber que sua opinião está errada, ou eles podem descobrir que você está certo. Deus é grande o suficiente para tirar tanto você quanto eles de qualquer confusão em que estiverem. De qualquer forma Deus terá a glória se você colocar sua confiança nEle.

O caminho de Emaús [feedly]


Então os dois contaram o que tinha acontecido no caminho, e como Jesus fora reconhecido por eles quando partia o pão. (Lucas 24.35)

O encontro no caminho de Emaús, um vilarejo a doze ou treze quilômetros a noroeste de Jerusalém, é uma das mais vívidas histórias da Páscoa. Aconteceu na tarde do domingo. Um dos discípulos é identificado como Cleopas; o outro bem pode ter sido sua esposa. Enquanto caminhavam, falavam sobre os eventos impressionantes ocorridos em Jerusalém naqueles dias. Nessa caminhada, o Cristo ressuscitado juntou-se a eles.

Observemos o que Lucas diz sobre os olhos dos discípulos. De acordo com o versículo 16, seus olhos foram impedidos de reconhecer Jesus; de acordo com o versículo 31, seus olhos foram abertos e eles o reconheceram. O que teria feito a diferença? Como nossos olhos podem ser abertos como os olhos dos discípulos o foram?

Primeiro, podemos conhecer Cristo por meio das Escrituras. Jesus reprovou os discípulos por terem sido tão tardios em crer nos profetas, e então os levou através das três divisões principais do Antigo Testamento — a Lei, os Profetas e os Salmos (v. 44) —, lhes explicando seu ensino sobre os sofrimentos e a glória do Messias. Como Jesus dissera antes, "as Escrituras… testemunham a meu respeito" (Jo 5.39). Assim, precisamos procurar Cristo em toda a Escritura. Ao fazermos isso, nosso coração não poderá deixar de arder.

Segundo, podemos conhecer Cristo mediante o partir do pão. Talvez os discípulos de Emaús tenham visto as cicatrizes em suas mãos ou reconhecido a sua voz. Mas parece mais provável que os quatro verbos usados por Lucas tenham acionado a memória deles: Jesus tomou o pão, deu graças, o partiu e o deu a eles. Então seus olhos foram abertos e eles o reconheceram. Como disseram mais tarde, "Jesus fora reconhecido por eles quando partia o pão" (Lc 24.35). Muitos cristãos têm testificado experiência semelhante a essa. Um exemplo é o da mãe de John Wesley, Susanna. Certo dia, tendo ouvido as palavras da Santa Ceia, confessou: "As palavras tocaram meu coração e eu tive certeza que Deus, em nome de Cristo, havia perdoado todos os meus pecados".

Portanto, aqui estão duas maneiras principais por meio das quais Cleopas e seu companheiro reconheceram o Senhor ressuscitado, e mediante as quais podemos reconhecê-lo hoje — as Escrituras e o partir do pão, a Palavra e o sacramento.

Para saber mais: Lucas 24.13-35

>> Retirado de A Bíblia Toda, o Ano Todo [John Stott]. Editora Ultimato.

2015-08-17

Decida como viver


Decida como viver

Porque pela graça (favor imerecido de Deus) sois salvos (libertos do juízo e tornados participantes da salvação de Cristo), mediante a fé; e isto [a salvação] não vem de vós [de sua própria obra, nem do seu próprio esforço]; é dom de Deus (Efésios 2.8)

Você pode viver sob a lei do pecado e da morte, com suas regras e regularmente; ou pode viver sob a lei do Espírito da vida em Cristo Jesus, que pela graça o colocou livre da lei do pecado e da morte (veja Romanos 8.2)

Gálatas 5.4-5 explica que a lei não nos leva a lugar algum, além de nos separar de Cristo. Mas o Espírito Santo nos ajudará a nos moldarmos à vontade de Deus em propósito, pensamentos e ações. Escolha a lei da vida e diga: "Hoje desfrutarei um dia pleno de graça".

Outra razão porque não desejamos a castidade

Muitas pessoas desanimam diante de todas as tentativas sérias de experimentar a castidade cristã, porque acham (antes mesmo de tentar) que ela é impossível. Porém, quando algo deve ser realizado, ninguém jamais deve pensar em termos de possibilidades e impossibilidades. Diante de uma questão opcional formulada em uma prova, costumamos levar em conta se estamos em condições de realizá-la ou não: diante de uma questão compulsória, temos de fazer o melhor que pudermos. Você poderá obter alguns pontos por uma resposta imperfeita: certamente não ganhará nada se deixar a questão em branco.

Isso não vale apenas para exames, mas também para a guerra, para a escalada de montanhas, para as lições de skate, de natação ou de bicicleta; e até na hora de prender um colar apertado com os dedos gelados, as pessoas geralmente fazem coisas que lhes pareciam quase impossíveis antes de tentar. É maravilhoso ver o que você é capaz de fazer quando é obrigado a fazê-lo.

Podemos, de fato, ter certeza de que a castidade perfeita — da mesma forma que a caridade perfeita — jamais será alcançada por um simples esforço humano. Você tem de pedir ajuda de Deus. Mesmo ao fazê-lo, pode parecer que não houve ajuda nenhuma ou que você recebeu menos ajuda do que estava precisando. Não importa. Peça perdão depois de cada falha, levante-se e tente de novo. Muito frequentemente, o que Deus nos ajuda a conquistar primeiro não é a virtude em si, mas somente a capacidade de sempre tentar de novo. Pois, não importa quão importante possa ser a castidade (ou a coragem, ou a veracidade, ou qualquer outra virtude), esse processo nos ajuda a treinar os hábitos da alma, que são os mais importantes. Ele cura as nossas ilusões sobre nós mesmos e nos ensina a depender de Deus. Por outro lado, aprendemos que não podemos confiar em nós mesmos nem em nossos melhores momentos, e que também não precisamos nos desesperar, mesmo na pior das situações, já que as nossas falhas estão perdoadas. A única atitude fatal seria sentar-se comodamente, contentando-se com qualquer coisa menos que a perfeição.

>> Retirado de Um Ano com C. S. Lewis, Editora Ultimato.

2015-08-16

Estude diariamente


Estude diariamente

Medita estas coisas e nelas sê diligente [praticando e cultivando como seu ministério], para que o teu progresso a todos seja manifesto (1 Timóteo 4.15)

O trecho de 2 Timóteo 2.15 (AMP) diz: "Estude, zele e empenhe-se para apresentar – se a Deus aprovado (testado pela provação), como um obreiro que não tem motivos para se envergonhar, corretamente examinado e cuidadosamente partilhando (manuseando corretamente e ensinando habilmente) a Palavra da verdade".

É difícil crescer se você não gosta de ler a Palavra. Se Satanás criou obstáculos para impedi-lo de ler a Palavra, exerça sua autoridade sobre ele. Declare seu amor pela Palavra e, então, leia, mesmo se for apenas poucas páginas em um dia. Seu desejo por mais crescerá rapidamente. Se você verdadeiramente não gosta de ler, então, ore para que Deus lhe dê o desejo para fazê-lo

O imperativo da unidade cristã


O imperativo da unidade cristã

O apóstolo Paulo está preso e algemado na antessala do martírio, mas sua atenção não está voltada para si mesmo. Havia alegria em seu coração (Fp 4.4,10), mas sua medida ainda não estava cheia. Um grau mais elevado de unidade, de humildade e de solicitude em família podia completar o que ainda faltava no cálice da alegria de Paulo. Seu principal anseio não era a rápida libertação da prisão, mas o progresso espiritual dos filipenses. Sua alegria não vem de suas condições pessoais, mas da condição da igreja de Deus.

Mesmo preso, Paulo diz que a igreja de Filipos era sua alegria e coroa (Fp 4.1). Suas orações em favor dos cristãos filipenses eram orações alegres (Fp 1.4). Mas, agora, o apóstolo deseja que o cálice da sua alegria transborde e por isso ordena: "Completai a minha alegria, de modo que penseis a mesma cousa, tenhais o mesmo amor, sejais unidos de alma, tendo o mesmo sentimento" (Fp 2.2). Paulo não pode estar alegre enquanto o espírito de facção existir nessa generosa igreja de Filipos. Paulo exorta aqueles irmãos para que tenham unanimidade de coração.

Não se trata da unanimidade formal que se consegue manter mediante o poder de veto; trata-se daquela unanimidade sincera de propósitos, pela qual ninguém deseja impor um veto sobre as pessoas. Aquela mesma igreja que estava comprometida com Paulo no apoio missionário, dando-lhe conforto e sustento financeiro, estava sendo ameaçada por divisões internas e isso estava toldando a alegria no coração do velho apóstolo. Como a igreja poderia completar a alegria de Paulo?

Em primeiro lugar, demonstrando unidade de pensamento (Fp 2.2). A unidade de pensamento não é uma coisa fácil de alcançar, especialmente onde as pessoas têm uma mente ativa e um espírito independente. O verbo grego phronein usado aqui para definir "o pensar a mesma coisa" aparece nesta carta dez vezes, enquanto aparece apenas mais treze vezes em todas as demais epístolas. Usando a palavra phronein, Paulo não tem em vista o "pensamento" teórico do teólogo, mas o pensar prático, subordinado ao querer.

Aqui se trata do "pensamento" que conduziu o Filho de Deus do trono da glória para a vergonha da morte na cruz! Se todos "pensarem" da maneira como Jesus Cristo também pensou, como ele morreu por pecadores, não poderão se separar; hão de apegar-se aos irmãos. Fica claro que a palavra phronein traduzida aqui por "mente" denota não uma capacidade intelectual, mas uma ação e uma atitude moral. Obviamente, "ter uma só mente" não significa que os crentes têm de concordar em tudo; em vez disso, cada crente deve ter a mesma atitude de Cristo (Fp 2.5).

Em segundo lugar, demonstrando unidade nos relacionamentos (Fp 2.2). Os irmãos da igreja de Filipos precisam ter o mesmo amor uns pelos outros, igual ao que Cristo tem por eles. O amor de Cristo o trouxe do céu para a humilde condição da natureza humana, para morrer na cruz em favor dos pecadores. Muito embora os crentes não possam fazer o que Cristo fez, eles podem seguir seu exemplo quando expressam o mesmo amor na maneira de lidar uns com os outros.

Em terceiro lugar, demonstrando unidade espiritual (Fp 2.2). A igreja precisa ser unida de alma. Jesus orou para que todos aqueles que creem possam ser um como ele e o Pai, que são um (Jo 17.22-24). Essa frase significa dois corações batendo como se fosse um. Na igreja de Deus não há espaço para disputas pessoais. A igreja não é um concurso de projeção pessoal nem um campeonato de desempenhos pessoais. A igreja é um corpo onde cada membro coopera com o outro, visando a edificação de todos.

Em quarto lugar, demonstrando unidade de sentimento (Fp 2.2). A igreja precisa ter o mesmo sentimento. A igreja é como um coro que deve cantar no mesmo tom. Os crentes não são competidores, mas cooperadores. Eles não são rivais, mas parceiros. Eles não estão lutando por causas pessoais, mas todos estão buscando a glória de Deus.

Reverendo Hernandes Dias Lopes