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2015-08-09

A cruz e o sofrimento

Quero conhecer Cristo… e a participação em seus sofrimentos. (Filipenses 3.10)

O sofrimento, sem dúvida, constitui o maior desafio da fé cristã. Espíritos sensíveis questionam se ele pode de algum modo fazer sentido com a justiça e o amor de Deus. Philip Yancey foi mais além e expressou o inexprimível que podemos ter pensado, mas nunca ousamos dizer. Ele escreve em seu livroDecepcionado com Deus: "Se Deus está realmente no controle… por que ele é tão volúvel, injusto? Seria ele o sádico cósmico que se alegra em nos ver contorcendo de dor?"

A Escritura, no entanto, nos assegura que Deus é um Deus sofredor, longe de ser imune ao sofrimento. Precisamos vê-lo chorando sobre a cidade impenitente de Jerusalém e morrendo na cruz. Ouso citar algo que escrevi em A Cruz de Cristo:

Eu mesmo jamais poderia crer em Deus, não fosse pela cruz. O único Deus em quem creio é aquele que Nietzsche ridicularizou como sendo "Deus sobre a cruz". No mundo real da dor, como alguém poderia adorar um Deus que fosse imune a ela? Entrei em muitos templos budistas em diferentes países da Ásia e fiquei em atitude respeitosa diante da estátua de Buda com suas pernas cruzadas, os olhos fechados, o vislumbre de um sorriso ao redor da boca, um olhar distante na face, desvencilhado das agonias do mundo. Todas essas vezes, no entanto, depois de um tempo, tive de dar as costas a ele. E na imaginação me volto para aquela figura solitária, curvada e torturada na cruz, com pregos nas mãos e nos pés, com as costas laceradas, os membros distendidos, o semblante sangrando por causa dos espinhos, a boca seca e uma sede insuportável, mergulhado na escuridão do abandono de Deus. Esse é Deus para mim! Ele deixou de lado sua imunidade à dor. Ele entrou em nosso mundo de carne e osso, lágrimas e morte. Ele sofreu por nós. Nossos sofrimentos se tornam mais suportáveis à luz do sofrimento dele.

Como afirma P. T. Forsyth, "a cruz de Cristo… é a única autojustificação de Deus em um mundo como o nosso".

Para saber mais: Oseias 11.8-9

>> Retirado de A Bíblia Toda, o Ano Todo [John Stott]. Editora Ultimato.

Mude “devo” para “quero”


Mude "devo" para "quero"

"Agora, pois, já nenhuma condenação (nenhuma sentença culpando pelo erro) há para os que estão em Cristo Jesus, (que não vivem segundo os ditames da carne, mas segundo o Espírito)" (Romanos 8.1)

Muitas pessoas comparam a si mesmas e suas realizações com aquilo que outros são e realizam para o Senhor, pensando que temos de fazer certas coisas para agradar a Deus. Mas Deus não enviou Jesus ao mundo para nos condenar (veja João 3.17). O que agrada a Deus é o nosso profundo desejo de conhecê-lo melhor, o que conseguimos quando passamos tempo com Ele em estudo e oração.

Somos chamados para desfrutar de um relacionamento com Deus. Não deixe a condenação roubá-lo de sua alegria hoje. Ore: Senhor, quero seguir a lei do meu novo ser. Pela Tua graça, ajuda-me seguir a Jesus, porque Ele fez o que a lei não podia fazer e salvou-me de meus pecados.

Honre seu pai


Honre seu pai

Apesar de o filho viver os primeiros meses de vida dentro da mãe, isso não faz com que o pai tenha um papel menos importante do que ela. Ao homem não foi dada a missão de conceber, mas, sim, a de amar, cuidar e ensinar.

Ao levar isso em consideração, entende-se que a única diferença entre o pai biológico e o "de coração" é o sangue. Ambos têm o mesmo nível de responsabilidade nos quesitos amor, cuidado e ensinamento. E ambos também precisam ser amados, com a mesma intensidade, pelos filhos.

A Palavra de Deus diz: "honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor, teu Deus, te dá" (Êxodo 20:12). Na Bíblia não está escrito o tipo de pai que deve ser honrado. Para que os dias do filho sejam prolongados, é preciso honrar o pai seja ele sério ou engraçado, quieto ou divertido, carinhoso ou inexpressivo…

Se você é filho…

Talvez o seu pai não consiga expressar com afeto o amor que sente por você, mas saiba que, nos pequenos gestos, ele pode demonstrar isso.

Talvez você não conheceu o homem que te "colocou no mundo" porque ele partiu antes do seu nascimento. Mas você tem Deus, o Pai dos pais, que está sempre do seu lado, que ama e cuida de você. E, não só no Dia dos Pais, mas todos os dias, você pode honrá-Lo com palavras e atitudes.

Talvez você não conheça o seu pai porque ele decidiu viver distante por algum motivo. Não o julgue por isso. Caso ele apareça e queira se relacionar com você, não o ignore. Perdoe-o e passe a honrá-lo.

Talvez seja sua mãe ou outra pessoa quem faz o papel do seu pai. Eles também merecem ser homenageados.

Se você é pai…

Você é exemplo! Saiba que seu papel na vida do seu filho é muito importante, independentemente da sua personalidade. Demonstre, a cada dia, o amor que você sente por ele, seja com gestos ou palavras. Cuide, ensine.

Que você cresça em conhecimento e sabedoria para sempre dar bons exemplos aos que o admiram. E que Deus o abençoe sempre!

Feliz Dia dos Pais!

:: Dayane Cristina

2015-08-08

Somos diferentes


Somos diferentes

"… tendo, porém, diferentes dons (habilidade, talentos e qualidades) (vamos usá-los) segundo a graça que nos foi dada" (Romanos 12.6)

Não se sinta mal sobre si mesmo se você não é capaz de fazer algo que outra pessoa foi ungida para fazer. O Senhor ungiu cada um de nós para contribuirmos para o Corpo de Cristo de uma forma exclusiva. O que Deus o capacita a fazer não é mais ou menos importante do que Ele chamou outra pessoa para fazer.

Deus o fez diferente de todas as outras pessoas para cumprir os desejos do seu coração também (veja Salmos 37.4). Ele o ungirá naquilo que o chamou, por isso coloque seus dons em Suas mãos poderosas hoje e desfrute a si mesmo.

2015-08-07

Um protesto contra o esquecimento

Farei tudo o que puder para que, depois da minha morte, vocês lembrem sempre dessas coisas. (2Pe 1.15)

Numa carta de apenas três capítulos, Pedro três vezes pede que os crentes se lembrem de certas coisas básicas (2Pe 1.3, 13 e 15) e uma vez pede que eles não se esqueçam de que "para o Senhor um dia é como mil anos, e mil anos, como um dia" (3.8).

Pode ser desastroso esquecer datas, nomes de pessoas e lugares e acontecimentos históricos, mas o esquecimento no âmbito da religião é muito pior. Daí as inúmeras advertências contra o esquecimento e a favor da lembrança que percorrem a Bíblia.

Como é possível esquecer o Criador? No entanto, muitos se esquecem dele ou vivem como se ele não existisse. Uma queixa amarga sai da boca de Deus por meio da boca do profeta Jeremias: "Por acaso, uma jovem esquece as suas joias? Ou uma noiva esquece o seu véu? Mas o meu povo esqueceu de mim por tantos dias, que nem dá para contar" (Jr 2.32).

Como é possível esquecer o Redentor e o seu sacrifício na cruz? Isso é tão possível e tão comum, que o próprio Jesus instituiu o cerimonial da Santa Ceia para dificultar ou impedir tal coisa. É para comer do pão e beber do vinho sempre em memória dele (1Co 11.24-25). É tão possível e perigoso, que Paulo escreve a Timóteo: "Lembre de Jesus Cristo" (2Tm 2.8).

Como é possível esquecer as doutrinas fundamentais do cristianismo? Isso é tão possível que o Espírito Santo está conosco para nos fazer lembrar tudo o que Jesus ensinou (Jo 14.26). É tão possível que a história do pecado e da salvação está registrada e preservada nos 66 livros das Sagradas Escrituras!

Meditando todo dia na Palavra, não vou esquecê-la!

>> Retirado de Refeições Diárias com os Discípulos. Editora Ultimato.

Vá onde Deus o enviar


Vá onde Deus o enviar

"Aproximemo-nos, com sincero (honesto e verdadeiro) coração, em plena certeza (absoluta convicção) de fé (por apoiar toda a personalidade humana em Deus com absoluta fé e confiança em seu poder, sabedoria e bondade)" (Hebreus 10.22)

Uma das principais razões pelas quais as pessoas não desfrutam a vida é por não seguirem a orientação do Espírito Santo. Porque Jesus cumpriu a lei, temos plena liberdade para entrar no Santo dos Santos e nos relacionarmos com o Pai. A carta aos Hebreus chama esse acesso de "um novo e vivo caminho" para desfrutarmos nosso relacionamento com Deus (veja Hebreus 10.20)

Passe tempo com Deus hoje e vá aonde quer que o Espírito de Deus o leve. Ele sempre lhe dará a graça para realizar o que Ele o chamou para fazer.

Nossas limitações


Nossas limitações

Estava pensando sobre esse tema, quando alguns exemplos de pessoas que alcançaram seus objetivos vieram à minha mente, e não importando a classe, sejam elas cristãs ou não, uma coisa vislumbrei: DETERMINAÇÃO! Quase sempre a determinação parece ser a alavanca que as empurra em direção ao alvo por elas proposto.

Há à disposição do público evangélico, livros que discorrem sobre o assunto e uma lista infindável de autores não evangélicos fazem sucesso com a abordagem da auto-ajuda, levando as pessoas às livrarias para adquirem o último best-seller. O autor brasileiro Paulo Coelho é um bom exemplo de sucesso com seus escritos que ultrapassaram as fronteiras, e é um dos mais lidos na atualidade.

Despertar o que está latente no ser humano parece dar resultados. Muitos mudam as suas atitudes e pensamentos e se tornam pessoas diferentes e chegam a alcançar seus objetivos nesta vida, apenas acordando o potencial que sempre esteve presente.

Alguns psicólogos cristãos estão ensinando nesta direção. Pastores e líderes de seminários mostram e até usam a Bíblia para respaldarem o ensino da autoajuda. Não é sem frequência que ouço aquela famosa pergunta: "mas que mal há nisso?" Não estamos prosperando? Não estamos alcançando os alvos que estabelecemos? Não nos tornamos pessoas melhores, mais ajustadas e comprometidas com a sociedade? Há um tempo atrás, ouvi uma mensagem baseada em Filipenses 4.13 que diz: "Posso todas as coisas naquele que me fortalece".

O pregador enfatizava o "eu posso todas as coisas" para ensinar às pessoas que elas podem alcançar o que planejam ter o que desejam e ser o que intentam. Não há impossibilidades para o "eu posso todas as coisas". Nessa linha de pensamento há uma enxurrada de mensagens circulando pela internet através de e-mails, vídeos, redes sociais e não poucos são os pastores que abraçaram esse ensino.

Ao examinar a Bíblia, vejo um perigo iminente e uma teia que pode emaranhar aqueles que gostam de degustar tudo que vem à mesa, principalmente porque são atraídos pelo visual do prato que pode satisfazer os seus anseios e desejos. Porventura não foi assim com Eva? A mensagem e o apelo são sempre na mesma direção, ou seja: o desejo da carne, o desejo dos olhos e a soberba da vida (1 João 2.16). Deixar-se envolver por esse vento de doutrina tão presente no século 21, pode significar o afastamento do propósito de Deus para as nossas vidas. Se você não concorda comigo, permita-me mostrar-lhe algumas objeções com relação ao que expus acima.

1) Ao referir-se em Fl 4.13, Paulo não ensinava que o cristão poderia ser o que quisesse ou ter o que desejasse. Lendo o contexto do versículo ele explica que padeceu necessidade, teve em abundância, experimentou abatimento e em todas as coisas foi instruído. No instante em que ele escrevia essa carta aos cristãos de Filipos, passava por outra situação difícil: estava preso! Por isso, ao fazer uma análise de todas as circunstâncias em que viveu, declarou algo que ecoou por todos os corredores do presídio: "posso todas as coisas em Cristo que me fortalece!" O diabo poderia pressioná-lo em diversas áreas, mas em Jesus, que o fortalecia, ele estava pronto a passar por tudo.

2) Muitos cristãos assumem que podem "tudo", mas, invariavelmente, essa afirmação está envolvida com o "ter" e o "ser". O apóstolo João fala no texto, sobre a "soberba da vida". O "eu posso todas as coisas", fora do contexto de Paulo, me enlaça nas cordas da soberba e me afasta da minha verdadeira condição limitada. Descentraliza a pessoa de Jesus e põe no centro o meu ego, que podendo todas as coisas, diz em alta voz e nos corredores da vida: "Eu posso!" Sim, EU!

Não podemos negar os benefícios de atitudes positivas. Elas se manifestam em todas as áreas da nossa vida, mas as atitudes e pensamentos positivos, por si só, não podem operar a transformação no coração do homem. Contudo, o poder da operação é tão somente do Senhor. Ele que é digno de receber todo louvor. Não temos méritos e não podemos fazer nada, a não ser crermos que ele fará e se manifestará na vida daqueles que nele confiam. Será que era isso que Paulo tinha em mente quando escreveu aos cristãos que estavam na cidade de Corinto (2 Co 4.7)?

Se não, vejamos: "Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós." Pensar sobre as nossas limitações é um exercício que nos faz bem. Davi tinha consciência da sua condição e, talvez por isso mesmo ele registrou no Salmo 69.2 "Estou atolado em profundo lamaçal, que não dá pé; estou nas profundezas das águas, e a corrente me submerge". Não importava o tamanho do seu reino e nem tampouco o tamanho do seu exército, quando estava em tempos de necessidades, sabia-se insuficiente, por isso clamava ao Senhor. E, como resultado desse clamor pode-se ler no Salmo 18.6 "Na minha angústia, invoquei o Senhor, gritei por socorro ao meu Deus. Ele do seu templo ouviu a minha voz, e o meu clamor lhe penetrou os ouvidos".

Finalizando, lembro que o apóstolo Paulo atravessou situações extremamente difíceis e, por fim, foi martirizado. Como ele poderia desafiar todas essas circunstâncias se o Senhor não o fortalecesse? Você seria capaz de afirmar o "eu posso todas as coisas" dentro desse cenário?

No amor de Cristo Jesus, aquele que nos fortalece,

Natanael Gonçalves, pastor da Igreja Batista das Nações, em Bournemouth, Inglaterra