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2015-04-20

Por que você parou de correr?


Por que você parou de correr?
// Lagoinha

“Não são poucos os que corriam e agora não correm mais. Essas pessoas não são necessariamente cínicas. O que acontece com elas é o que aconteceu com Davi”.

Depois de quarenta anos caminhando pelo deserto, o povo de Israel chegou defronte à Terra Prometida. Só faltava atravessar o rio Jordão, cujas águas haviam coberto as margens. O Deus que, no início da jornada, havia aberto o mar Vermelho fez outro milagre. Quando os sacerdotes chegaram ao Jordão e puseram os pés dentro d’água, “ela parou de correr e ficou amontoada na parte de cima do rio até a cidade de Adã” (Js 3.16). Referindo-se a este fato histórico, o poeta personaliza o mar e o rio e lhes pergunta: “O que aconteceu, ó mar, para que você fugisse assim? E, você, rio Jordão, por que parou de correr?” (Sl 114.5).

Esta segunda pergunta tem um paralelo na carta de Paulo aos Gálatas: “Vocês estavam correndo muito bem! Quem os convenceu a se desviar do caminho da obediência?” (Gl 5.7). Em vez de usar palavras duras com as ovelhas que não voltam ao aprisco, poderíamos apenas perguntar ternamente: “E você, fulano de tal, por que parou de correr?”. É como se Paulo falasse com Demas: “E você, Demas, por que me abandonou e se apaixonou por este mundo?” (2Tm 4.10). É como se Jesus falasse com a igreja de Éfeso: “E vocês, irmãos de Éfeso, por que não me amam, como antes?” (Ap 2.4).

Não são poucos os que corriam e agora não correm mais. Essas pessoas não são necessariamente cínicas. O que acontece com elas é o que aconteceu com Davi. Quando se desprendeu do rebanho, o salmista não era um estranho na casa de Deus. Ele conhecia os mandamentos. Ele tocava harpa e dançava diante do Senhor. Ele regia a banda e o coro. Ele apenas fraquejou, deu-se ao luxo de ter uma aventura qualquer lá fora. Mas o profeta Natã lhe perguntou: “E você, Davi, por que parou de correr?”.

Se eu parar de correr – Deus me livre! –, alguém precisa me perguntar: “E você, rapaz, por que parou de correr?”. No caso de Davi, a pergunta deu certo. Pouco depois dela, o salmista teve saudade das verdes pastagens e das águas tranquilas, da vara e do cajado do Pastor, da mesa farta e do cálice transbordante, da unção com óleo, da bondade e da fidelidade diária do Senhor. Então, clamou ao Senhor em uma das mais ternas de suas orações: “Andei vagando como uma ovelha perdida; vem em busca do teu servo, pois não me esqueci dos  teus mandamentos!” (Sl 119. 176).

::Ultimato

Aceitando o que não pode ser mudado

Há também outro mal terrível: Como o homem vem, assim ele vai, e o que obtém de todo o seu esforço em busca do vento? Passa toda a sua vida nas trevas, com grande frustração, doença e amargura. [Eclesiastes 5.16-17]

“Passar toda a sua vida nas trevas” é uma expressão hebraica para “viver em tristeza”. A frase é derivada da forma como as pessoas aparentam estar quando se sentem tristes. Quando o coração está triste, os olhos quase parecem nublados, cobertos por nuvens. Mas quando o coração está feliz, a face se ilumina e brilha. A luz representa a felicidade e a escuridão, a tristeza. Por exemplo, lemos nos Salmos: “O Senhor é a minha luz e a minha salvação” (Sl 27.1); “Olha para mim e responde, Senhor meu Deus. Ilumina os meus olhos” (Sl 13.3). Passar a vida nas trevas, portanto, significa levar uma vida cruel, de tristezas.

Os únicos casos que chegam diante do juiz são aqueles ruins. Um juiz insensato irá se torturar e se encher de preocupações por pensar que não está fazendo diferença. Mas aquele que é sábio dirá: “Eu planejo e faço tudo o que posso. Mas o que eu não posso mudar, eu aceito. Eu tenho de suportar. Ao mesmo tempo, eu submeto tudo a Deus. Somente ele sabe como fazer as coisas da melhor maneira, de acordo com a sua vontade. Ele é o único que pode fazer meus esforços terem sucesso”.

Portanto, assim como um juiz, nossos olhos e ouvidos devem se acostumar a ver e ouvir coisas ruins, mesmo que elas não sejam o que desejamos. Não devemos pensar que veremos e ouviremos somente coisas boas, que nos agradam. Isso não é o que o mundo oferece. Portanto, devemos nos preparar para coisas ruins, pois sabemos que é esse o caminho da vida. Aqueles que não querem ter problema algum terão mais problemas que os outros.

>> Retirado de Somente a Fé – Um Ano com Lutero. Editora Ultimato.

2015-04-19

Um rei como Davi

Porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado, e o governo está sobre os seus ombros. E ele será chamado Maravilhoso Conselheiro, Deus Poderoso, Pai Eterno, Príncipe da Paz. [Isaías 9.6]

O propósito original de Deus para o seu povo não era um reino, mas uma teocracia, ou seja, ele pretendia governá-los diretamente, sem nenhum intermediário. Desta forma, quando eles exigiram que o Senhor lhes desse um rei, como as outras nações, eles estavam rejeitando o próprio Deus, e não Samuel. Samuel alertou o povo sobre o regime opressor que os reis humanos costumam impor, e foi exatamente isso que aconteceu. Por isso os profetas começaram a sonhar com um futuro reino ideal, que apresentasse todas as características que os reis de Judá e de Israel lamentavelmente fracassaram em exibir, embora Davi tenha chegado perto desse padrão.

O reino de Deus seria justo. O Messias seria justo e governaria o povo com justiça. “Dias virão”, declarou o Senhor, “em que levantarei para Davi um Renovo justo, um rei que reinará com sabedoria e fará o que é justo e certo na terra” (Jr 23.5).

O reino de Deus seria pacífico. O reino de Davi foi arruinado pelas guerras intermináveis, e isto contrastava deliberadamente com o nome de seu filho e sucessor, Salomão, shalom, que significa paz (1Cr 22.6-10).

O reino de Deus seria estável. Os tronos de Israel e de Judá eram geralmente instáveis e de pouca duração, mas o reino messiânico permaneceria para sempre.

O reino de Deus seria universal. Em sua dimensão máxima, o território de Israel se estendia “de Dã a Berseba” (2Sm 3.10). O reino messiânico, no entanto, se estenderia “de um mar a outro, e do Eufrates até os confins da terra” (Zc 9.10).

Assim, justiça e paz, eternidade e universalidade são as principais características do reino messiânico introduzido por Jesus. Essas qualidades podem ser facilmente detectadas nos quatro nomes do rei menino (Is 9.6).

Para saber mais: Salmo 72
>> Retirado de A Bíblia Toda, o Ano Todo [John Stott]. Editora Ultimato.

Livre-se das desculpas


Livre-se das desculpas
// Lagoinha

“Invoco o Senhor; digo de ser louvado, e (portanto) serei salvo dos meus inimigos”. (Salmos 18.3)

Em Deuteronômio 7.1-2, Deus instruiu seu povo a destruir completamente seus inimigos. Eles não deveriam mostrar qualquer misericórdia. Quando Deus nos diz que é tempo de lidar com atitudes negativas e erradas, devemos nos livrar de nossas desculpas. Não devemos mais argumentar: “Bem, todas as pessoas são negativas, por que eu deveria ser diferente”?

Vença algumas coisas em sua vida hoje. Livre-se de maus hábitos e atitudes negativas e prossiga para o futuro que Deus planejou para sua vida. Ore: “Deus, por favor, ajude-me a mudar. Mostra a raiz do meu problema e como superá-lo. Quero mudanças positivas em minha vida”.

2015-04-18

Simplesmente creia


Simplesmente creia
// Lagoinha

“…a fim de sermos para louvar da sua glória, nós, os que de antemão esperamos em Cristo [os que de antemão colocamos nossa confiança nele fomos destinados para viver para o louvor de sua glória]” (Efésios 1.12)

No mundo natural, você não crê em algo até que possa vê-lo. Mas, ao orar, você tem de crer que o recebeu, e então obterá a manifestação disso. No Reino de Deus, você primeiramente tem de crer, e então verá.

Jesus disse: “…e tudo quanto pedirdes em oração, crendo, recebereis” (Mateus 21.22). O ouvido de Deus está inclinado para aqueles que oram em fé. Pedro foi o único que caminhou sobre as águas ao lado de Jesus, mas também foi o único que saiu do barco. Até que você tome a decisão de crer e agir de acordo com isso, nada acontecerá.

Ovelha fora do aprisco

Se algum de vocês se desviar da verdade… (Tg 5.19)

Parece que há diferença entre o desviado e o desertor. O caso do desertor é muito mais sério. Ele faz mais do que desviar-se: ele abandona resolutamente o evangelho.

O crente desviado é também chamado de crente afastado, crente extraviado, crente distante do evangelho. Em algum lugar, em algum tempo e em alguma denominação cristã, pode haver mais crentes desviados do que crentes firmes.

O crente desviado é aquele que se desvia da verdade de Deus, da fé, do bom caminho, do primeiro amor, do compromisso assumido no batismo. É aquele que se desprende do grupo, que se transfere do caminho estreito para o caminho largo. Todavia, isso não significa obrigatoriamente que seu nome nunca foi escrito no Livro da Vida. Não se pode afirmar prematuramente que o crente desviado nunca tenha se convertido.

Tiago está responsabilizando os não desviados a trabalhar com os desviados. O propósito é trazer de volta o irmão no momento afastado da comunhão por algum motivo, há pouco ou há muito tempo. Os irmãos que permanecem firmes na fé têm de usar “laços de amor e carinho” (Os 11.4) para reconduzir as ovelhas ao rebanho. Nesse ministério de reconciliação, a oração intercessória é o melhor instrumento.

Assim como o bom pastor procura saber quantas ovelhas não estão no aprisco e vai atrás delas até achá-las e reconduzi-las ao rebanho, assim também devem fazer os pastores de almas e os crentes da comunidade em favor daqueles irmãos que foram salvos pelo precioso sangue de Cristo.

Naturalmente, Tiago não está se referindo àquelas pessoas que conheceram o caminho, experimentaram o gosto da salvação e, depois, abandonaram tudo, voltando à estaca zero ou ao seu próprio vômito ou à lama, como é dito na Epístola aos Hebreus (6.4-8) e na Segunda Carta de Pedro (2.20-23).

— Asafe quase perdeu a confiança em Deus, mas conseguiu recuperá-la!
>> Retirado de Refeições Diárias com os Discípulos. Editora Ultimato.

2015-04-17

Satanás, Eva, Adão e Caim: O fluxo do mal


Satanás, Eva, Adão e Caim: O fluxo do mal
// Lagoinha

O pecado começou no céu, quando Satanás desejou ser igual a Deus (Ez 28; Is 14). Imediatamente, o querubim transgressor foi lançado na terra. Sua próxima cena seria no jardim do Éden, conforme lemos em Gênesis 3.

Sempre que falamos a respeito de Adão e Eva, lembramos da serpente (Gn 3.1-6; Ap 12.9). A vida do primeiro casal recebeu uma influência externa, maligna e destruidora. Foi assim que Satanás investiu contra a primeira família. No capítulo 4, vemos o pecado dos pais afetando a vida dos filhos, Caim e Abel (Gn 4.1-8). O mesmo ocorre hoje.

Qual é o vínculo entre Satanás, Eva, Adão e Caim? O pecado, com diferentes nuances em cada caso. Quando Satanás pecou, ele não foi tentado por ninguém. Eva, por sua vez, foi tentada por Satanás, incorporado na serpente. Quando chegou a vez de Adão, a serpente não participou. Foi Eva quem tentou Adão, atuando como agente de Satanás. E Caim? Ele não foi tentado por ninguém, pois já possuía o mal em seu coração.

Notamos, portanto, que a tentação pode vir de várias fontes. Satanás nem sempre está presente. Ele não está em todos os lugares ao mesmo tempo. É possível que a maioria das pessoas nunca tenha tido um contato direto com ele. Satanás tentou diretamente a Eva e, muito tempo depois, ao próprio Jesus (Mt 4), mas o que acontece no nosso dia a dia é o encontro com seres humanos que nos oferecem o fruto proibido, agindo como propagandistas do inferno.

Somos alvejados pelo marketing do pecado a todo instante, seja por meio de músicas, filmes, novelas, desenhos animados ou uma simples conversa nas redes sociais (1Co 15.33). Muitos são os canais para o conselho dos ímpios e as doutrinas de demônios (Salmo 1.1; 1Tm.4.1). Muitas mensagens malignas são claramente identificadas e precisam ser bloqueadas. Nossos olhos e ouvidos não são depósitos de lixo.

Mas temo que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos sentidos, e se apartem da simplicidade que há em Cristo” (2Co 11.3).

Nossa situação é muito semelhante à de Caim, pois já nascemos contaminados pelo pecado. Caim não podia colocar em Satanás a culpa pelo homicídio cometido. Assim também, não podemos dizer que tudo seja obra demoníaca. Onde fica a responsabilidade humana? É verdade que os demônios se aproveitam dos nossos erros, mas não podemos transferir para eles a responsabilidade das nossas escolhas.  Tal atitude de escape impede o arrependimento e a mudança.

Algumas pessoas culpam até o próprio Deus, mas vejamos o que escreveu Tiago: “Ninguém, sendo tentado, diga: De Deus sou tentado; porque Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta. Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria cobiça. Depois, havendo a cobiça concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a morte” (Tg 1.13-15).

Precisamos escolher que tipo de influência acolheremos em nossos corações. Satanás falou com Eva. Ela aceitou e praticou. Deus falou com Caim, mas ele rejeitou a voz de Deus e fez o contrário do que deveria. A fala de Deus no capítulo 4 de Gênesis tem um sentido de esperança para a humanidade. Apesar do pecado relatado no capítulo 3, Deus não desistiu do homem. Deus não desistiu de Caim, mas Caim desistiu de Deus. Qual voz ouviremos?

O caminho do pecado conduz à morte. O arrependimento e o perdão conduzem à vida. O primeiro passo para o perdão é o reconhecimento.

Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1Jo 1.9).

 ::Pr. Anísio Renato de Andrade