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2015-03-19

Senhor, que temos para hoje?


Senhor, que temos para hoje?
// Lagoinha

Faze-me, Senhor, conhecer os teus caminhos, ensina-me as tuas veredas. Guia-me na tua verdade e ensina-me, pois tu és o Deus da minha salvação, em Ti (por Ti somente e completamente) eu espero (com grande expectativa) todo o dia (Salmos 25. 4-5)

Comece o seu dia dizendo: “Estou empolgado com este dia, Deus. Mal posso esperar para ver o que Tu vai fazer. Creio que irás me guardar, me ajudar, me abençoar e me mostrar o Teu favor. Eu Te amo, Pai. Estou esperando em Ti, Pai, e estou pronto para Te ouvir”.

Peça a Deus para colocar em seu espírito tudo o que Ele quer que você saiba. Peça-lhe para mostrar as coisas que acontecerão e o que você tem a fazer (veja João 16.13). Ele lhe dará direção, e você terá muitos motivos para louvá-Lo pelo dia de hoje.

2015-03-18

Prazer no sofrimento por amor a Cristo


Prazer no sofrimento por amor a Cristo
// Lagoinha

Começo este texto voltando no tempo, com a passagem de Romanos, capítulo 14, versículo 8, em que encontramos uma das expressões mais negligenciadas da Bíblia. Não são poucas as pessoas que sabem alguns versículos de cor, mas aos que me refiro em Romanos não sai dos lábios de alguns com muita facilidade. O verso de número 8 diz assim: “Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. Quer, pois, vivamos ou morramos, somos do Senhor”.

Esse texto nos ensina que pertencemos a Deus em todos os momentos, seja morte ou vida. Mesmo quando enfrentamos os dias maus, dias de dores, quando sentimos que as forças estão se acabando, continuamos pertencendo ao Senhor. Mas muitas pessoas não entendem isso. Pensam que a perseguição não faz parte da vida do crente em Jesus, e vão para a igreja enganadas, buscando somente por bênçãos, principalmente as materiais. Porém, aquele que conhece os fundamentos da Igreja de Cristo, da Noiva do Cordeiro, sabe que a história é outra. Sofremos sim, enfrentamos perseguições, lutas, tribulações, mas mesmo diante de tudo isso, verdadeiramente somos mais que vencedores, em Cristo Jesus. O próprio Jesus que não tinha cometido um pecado sequer sofreu mais do que podemos imaginar. O soberano Deus se humilhou, o Criador tomou a forma da criatura. Jesus Cristo se tornou servo, aquele que veio para servir, serviu a todos. Foi à cruz, sofreu blasfêmias, escárnio, rejeição, enfim, desceu ao nível mais baixo tendo a morte de cruz, mas a recompensa foi maior e mais sublime, Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo o nome, o nome de Senhor.

Enfrentamos o sofrimento pessoal e também o pela fé em Jesus. É verdade que em nosso país temos toda liberdade para expressarmos a nossa fé. Podemos sair pelas ruas pregando o Evangelho sem sermos impedidos, presos por isso. Infelizmente em muitos países não há esse grau de liberdade. Muitos homens, mulheres e crianças, comprados pelo sangue de Cristo, estão sofrendo perseguições, as mais terríveis. As notícias estão aí, para comprovar o que digo. Ouvimos e lemos acerca de irmãos que estão sendo mortos mundo afora. No norte do Iraque, cristãos estão sendo perseguidos, assolados e mortos. Nos países onde o povo vive debaixo da bandeira do Islamismo, não há liberdade. Há cada minuto, irmãos nossos estão sendo torturados e mortos por não negarem a Jesus. Mas nós que vivemos com toda a liberdade (e por causa disso, muitas vezes) encontramos tantas pessoas totalmente descompromissadas com a fé, pessoas que não entendem o que é ser cristão.

Quando lemos: “Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. Quer, pois, vivamos ou morramos, somos do Senhor”. Temos que entender uma vez por todas que Jesus precisa ser o nosso Senhor, não é Ele que tem que fazer a nossa vontade, mas somos nós que temos que fazer a vontade dele, que é boa, perfeita e agradável.

O apóstolo Paulo diz assim em 2 Coríntios, capítulo 12, verso 10: “Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte”. A percepção de Paulo sobre a verdadeira natureza dos seus sofrimentos capacitava-o a vê-los como razões para se alegrar. Ele sabia que, por meio deles, o poder de Cristo estava trabalhando. Quando sou fraco… forte. Quando dificuldades destroem a autoconfiança normal dos crentes, eles precisam confiar mais em Cristo, que dá a eles força além da medida.

Uma transformação maravilhosa ocorre em quem se converte a Cristo, tornando-se filho e herdeiro de Deus e co-herdeiro com Cristo. Mas essa herança em Cristo que recebemos envolve também o compartilhar de seu sofrimento.

Deus abençoe!

Espere pelo Senhor


Espere pelo Senhor
// Lagoinha

Guarda os preceitos do Senhor, teu Deus, para andares nos seus caminhos, para guardares os seus estatutos, e os seus mandamentos, e os seus juízos, e os seus testemunhos, como está escrito na Lei de Moisés, para que prosperes em tudo quanto fizeres e por onde quer que fores: (1 Reis 2.3)

Quando você orar, espere pelo Senhor. Isso significa aguardar, contar com e ter confiança em Deus. Essa não é uma posição passiva, mas uma posição de expectativa.

Diga-lhe: “Deus, mantenho minha esperança em Ti. Creio que Tu estás trabalhando em meus problemas. Creio que Tu estás cuidando dos detalhes do meu dia. Estás colocando anjos por todo o meu caminho, por todo o lugar onde Tu sabes que terei de passar hoje. Obrigado, Deus, porque Tu já fostes à minha frente e abriste o caminho para que eu tenha um dia abençoado”.

2015-03-17

A POLÍTICA SEGUNDO JESUS

As relações humanas via de regra se articulam num ciclo vicioso de competição-violência-subjugação, cujo subproduto é a ciranda das inimizades via disseminação do ódio. Competimos o tempo todo, usamos a força – física, econômica, psicoemocional, e criamos sociedades vitimárias onde “quem pode mais, chora menos”, isso quando sobrevive para chorar. As relações de dominação ocorrem a partir dos ambientes familiares, ganham os páteos das escolas, as salas dos cursinhos pré vestibular, se desenrolam pelas filas de candidatos a vagas de emprego, ganham os corredores das corporações, atravessam as câmaras legislativas, disputam as urnas, aparelham o Estado, e jogam nação contra nação. Num mundo que vive a lógica do “cada um por si, Deus por todos e o diabo que carregue o último”, nada fica de fora da roda maldita cujo resultado é a estratificação social. Parece mesmo que Hobbes tinha razão quando disse que “o homem é o lobo do homem”.

Em seu chamado Sermão do Monte, Jesus de Nazaré invade o campo minado das relações de ódio e quebra o ciclo competição-violência-subjugação com um imperativo radical: amar os inimigos. Jesus é inequivocamente o mais desconcertante proponente de uma ética política (política compreendida como a arte de viver na pólis – cidade). Inusitado até mesmo para sua tradição judaica, que mandava “amar o próximo e odiar o inimigo”, o mandamento de amor aos inimigos é o alicerce singular que sustenta a política do reino de Deus: a política segundo Jesus.

A presença dos seguidores de Jesus no mundo deve ser sempre e absolutamente para promover “glória a Deus nas maiores alturas e a paz na terra aos homens”. O Príncipe da Paz não pode ser seguido senão por aqueles que se oferecem ao mundo como pacificadores.

A presença pacificadora dos seguidores de Jesus pode ser adjetivada, conforme se depreende de uma leitura do evangelho de São Lucas, capítulo 6:

. Presença solidária

Jesus chama de “bem-aventurados” os pobres, os que agora têm fome, os que agora choram, e os odiados e segregados por causa do Filho do homem. Mas pronuncia “ai de vocês” os ricos, os que agora têm fartura, os que agora riem, e os que agradam todo mundo (6.20-26).

Evidentemente, Jesus não desfere seu golpe contra os ricos, alegres, fartos e populares em razão de sua posição social. Certamente, o faz porque constata que tal posição os coloca na cadeira da indiferença, da prepotência e do abuso do fraco. O que se considera privilégio torna-se maldição quando deixa de ser partilhado e colocado à disposição do bem comum. A promessa de bênção e o vaticínio de maldição deixa claro que Deus toma partido, no caso, dos fracos, pobres, órfãos, viúvas e estrangeiros. Deus é solidário às vítimas, e os filhos de Deus devem fazer a mesma opção. 

. Presença propositiva

“Mas eu digo a vocês que estão me ouvindo: Amem os seus inimigos, façam o bem aos que os odeiam, abençoem os que os amaldiçoam, orem por aqueles que os maltratam” (6.27,28).

Para promover a paz não basta deixar de fazer o mal, é preciso fazer o bem. Como bem alertou Martin Luther King Jr., a omissão dos bons é tão danosa quanto a atuação dos maus. Jesus recomenda que seus seguidores, em vez de recuarem ante o avanço do mal, marchem sobre o mal e os malvados fazendo o bem, abençoando e amando de maneira prática. Pagar o mal com o bem, eis o desafio.

. Presença sacrificial

“Se alguém lhe bater numa face, ofereça-lhe também a outra. Se alguém lhe tirar a capa, não o impeça de tirar-lhe a túnica” (6.29-31).

Oferecer a outra face não é sinônimo de não resistência, mas uma forma pacífica de resistência. Quem está comprometido a promover a paz deve ser capaz de arcar com o dano para que o ciclo de maldade e violência seja interrompido. Quem não está disposto a dar dois passos para trás, dificilmente conseguirá dar três passos para frente.

. Presença graciosa

“Que mérito vocês terão, se amarem aos que os amam? E que mérito terão, se fizerem o bem àqueles que são bons para com vocês? E que mérito terão, se emprestarem a pessoas de quem esperam devolução? Amem, porém, os seus inimigos, façam-lhes o bem e emprestem a eles, sem esperar receber nada de volta. Então [...] vocês serão filhos do Altíssimo, porque ele é bondoso para com os ingratos e maus” (6.32-35).

Jesus não é ingênuo, nem sua proposta de paz é simplória. Sabe da existência dos maus, dos hostis, dos abusadores. Mas não permite que os maus determinem sua ação. Quem deseja seguir os passos de Jesus deve se comprometer a fazer o bem a quem não o merece. A generosidade dos pacificadores não destina apenas a quem a merece, mas principalmente a quem dela necessita.

. Presença misericordiosa

“Sejam misericordiosos, assim como o Pai de vocês é misericordioso. Não julguem, e vocês não serão julgados. Não condenem, e não serão condenados. Perdoem, e serão perdoados” (6.36-40).

Fazer justiça é dar ao próximo o que lhe é de direito, seja bem ou seja mal. Agir com graça é dar ao próximo o bem que não merece. Exercer misericórdia é poupar o próximo do mal que merece. Misericórdia é (miseratio) compaixão + (cordis) coração, isto é, coração com a mesma paixão, coração compadecido, coração com o mesmo padecimento. À semelhança de Jesus, seus seguidores também “sabem o que é padecer”, e por isso são capazes de com–padecer.

. Presença profética

A constatação da existência dos maus e dos inimigos de Deus, seu reino e sua justiça, implica a consciência da necessidade da denúncia. Os pacificadores não são ingênuos. Apenas se recusam a tomar assento no trono de Deus, o único justo juiz. Como diz o poeta, “paz sem voz não é paz, é medo”. Quem faz acordo com o malvado sem denunciar a maldade, impede que o malvado enxergue seu caminho e tenha a oportunidade de optar pelo caminho da justiça e da paz. Quem não aponta para a justiça como ideal, não promove a paz como possibilidade. 

. Presença lúcida

“Por que você repara no cisco que está no olho do seu irmão e não se dá conta da viga que está em seu próprio olho? Como você pode dizer ao seu irmão: ‘Irmão, deixe-me tirar o cisco do seu olho’, se você mesmo não consegue ver a viga que está em seu próprio olho? Hipócrita, tire primeiro a viga do seu olho, e então você verá claramente para tirar o cisco do olho do seu irmão” (6.41,42). 

A promoção da paz não permite passionalidades e fanatismos. Quem se abre ao diálogo e busca acordos deve ser minimamente capaz da autocrítica. Quem não enxerga, não assume, e não toma providências a respeito de suas próprias falhas e pecados não têm autoridade nem credibilidade para propor mudanças nos outros. Suas palavras e propostas caem no buraco cavado pela arrogância e no vazio nefasto do fanatismo cego.

. Presença autêntica

“Nenhuma árvore boa dá fruto ruim, nenhuma árvore ruim dá fruto bom. Toda árvore é reconhecida por seus frutos. Ninguém colhe figos de espinheiros, nem uvas de ervas daninhas. O homem bom tira coisas boas do bom tesouro que está em seu coração, e o homem mau tira coisas más do mal que está em seu coração, porque a sua boca fala do que está cheio o coração” (6.43-45).

O engajamento na promoção da paz é mais do que uma estratégia para viabilizar ganhos futuros. A paz não é resultado do que a cabeça consegue contabilizar, é fruto do coração pacificado e vazio de intenções mesquinhas. Abraços falsos, longe de promoverem reconciliações, potencializam hostilidades. Para fazer as pazes é preciso oferecer a paz que vem do coração, assim como a árvore oferece a fruta que vem da semente.

. Presença coerente

“Por que vocês me chamam ‘Senhor, Senhor’ e não fazem o que eu digo?” (6.46-49).

Os pacificadores não são perfeitos. Nem mesmo Deus espera que sejam. Mas precisam ser coerentes. Implica poder afirmar como São Paulo, apóstolo: “o que ouviram e viram em mim, isso pratiquem”. E ser suficientemente grande de alma para admitir quando há discrepância entre palavras e ações, pedir perdão e colocar os pés na direção do que é belo, justo e bom. Os seguidores de Jesus não o chamam de Senhor como quem oferece deferência cerimonial, mas com devoção sincera de quem pretende realmente obedecê-lo.

Que Deus encontre e multiplique entre nós os bem aventurados pacificadores. Amém!

https://m.facebook.com/edrenekivitz/posts/1047017345315424

Não desfaleça


Não desfaleça
// Lagoinha

Então, ele me disse: A minha graça (meu favor, benignidade e misericórdia) te basta (é suficiente contra qualquer perigo e o capacita a suportar o problema corajosamente), porque meu poder, se aperfeiçoa (cumpre-se e se completa na fraqueza). 2 Coríntios 12.9

Afaste-se e passe algum tempo com Deus antes que você perca as forças. Não importa quão forte seja sua saúde, não importa que idade você tenha, não importa o que pensa que sabe: sem Deus, você se tornará fraco e cansado.

Deus não se cansa, e a Palavra diz que Ele faz forte o cansado e aumenta as forças daqueles que não têm nenhum vigor. Mas aqueles que esperam, procuram, aguardam e têm sua esperança no Senhor, serão renovados (veja Isaías 40.29-31). Deus deseja aumentar sua força. Passe com Ele o tempo que for necessário para que você seja fortalecido.

2015-03-16

Não persiga as bênçãos


Não persiga as bênçãos
// Lagoinha

Bem-aventurado (feliz, afortunado, admirável) aquele a quem escolhes e aproximas de ti, para que assista nos teus átrios: ficaremos satisfeitos com a bondade de tua casa – o teu santo templo (Salmos 65.4)

Em vez de buscarmos intensamente as bênçãos, precisamos buscar a Deus. Se buscarmos a Deus, Ele nos alcançará com suas bênçãos. Eis porque o Reino de Deus, algumas vezes, é chamado de “um reino ao contrário”.

O sistema de Deus não funciona da forma que pensamos. As primeiras coisas são as últimas, e as últimas vêm em primeiro lugar. Se quisermos ter mais, devemos dar algo do que já temos. Para ser grande no Reino de Deus, devemos servir às necessidades dos outros. E, se quisermos bênçãos, devemos tirar nossa mente disso. Deus sabe o que queremos e do que precisamos, Ele quer nos conceder bênçãos que ainda nem mesmo lhe pedimos.

Coração compungido e contrito


Coração compungido e contrito
// Lagoinha

Uma das marcas do nosso tempo é o abandono do temor a Deus. Temor é uma palavra que a cultura contemporânea excluiu do dicionário. No lugar dela, cresce a busca pela autoconfiança. Uma vez que não temos nenhum referencial fora de nós, assumimos que somos nosso próprio deus. Num mundo assim, não existem limites ou fronteiras. Tudo é possível, permitido e aceitável. Surge então um desequilíbrio perigoso.

A oração do rei Davi no Salmo 51 é uma das pérolas da Bíblia. Não posso imaginar a vida sem essa oração, que nos conduz às profundezas da alma humana. Encontramos nela o espelho dos movimentos mais profundos de nossas emoções. Ela descreve a anatomia da alma humana e demonstra um equilíbrio maduro entre o temor a Deus e uma autoestima saudável. O contexto é bem conhecido. Trata-se do terrível adultério do rei Davi com Bate-Seba, seguido da trama para matar seu marido, Urias. O plano perverso de Davi acontece.

Depois da morte de Urias, ele se casa com Bate-Seba e o filho nasce. Porém, Davi não consegue conviver em paz com seu pecado. Graças a Deus por isso. Ele tentou esquecer, remendar, mas nada adiantou. Seu corpo começou a sentir o peso do pecado. Por mais que a cultura moderna nos tente convencer que o pecado não existe, seus sinais estão por toda parte. Não havia sacrifício para o pecado de Davi, já que o crime que cometeu fora premeditado. É por isso que ele diz: “Pois não te comprazes em sacrifícios; do contrário, eu tos daria; e não te agradas de holocaustos”.

Davi então entende que o sacrifício com o qual Deus se agrada é um espírito quebrantado e um coração compungido e contrito. Pouca coisa descreve melhor a necessidade humana do que essa declaração. Algumas razões: Um espírito quebrantado e um coração contrito nos conduzem à realidade sobre quem somos. Observe os pronomes usados por ele: “minhas transgressões; minha iniquidade; meu pecado; eu pequei contra ti; eu fiz o que é mau, eu nasci na iniquidade”. Davi tem consciência de quem ele é.

Isso nos ajuda a parar de jogar e brincar com a vida – a nossa e a dos outros. Por causa desse coração e espírito, ele assume seu erro e pecado. Não busca justificar seu erro com o erro dos outros, com aquelas desculpas conhecidas: “todo mundo faz o mesmo”, “não tive escolha”, “fui pressionado”. Ele não diz que foi “consensual”. Adultério é adultério, mesmo sendo consensual. Ele sabe que sua ofensa atinge primeiramente a Deus: “Pequei contra ti, contra ti somente, e fiz o que é mal perante os teus olhos; esconde o rosto dos meus pecados; não me repulses da tua presença, nem me retires teu Santo Espírito”.

É a Deus que ele ofendeu, antes de Bate-Seba e Urias. É isso que o temor a Deus produz. Essa oração nos conduz também a uma compreensão real sobre Deus. Veja a forma como ele se refere a Deus: compaixão, benignidade, misericórdia, amor, justiça, santidade. Ao pedir para ver a glória de Deus, Moisés ouviu a seguinte resposta: “Farei passar toda a minha bondade diante de ti (…) terei misericórdia e compaixão”. Davi volta-se para essa revelação, para o amor eterno, amor da aliança. É nesse amor que ele se apega. É nessa compaixão que ele deposita sua confiança.

É uma oração que nos conduz a um milagre. Encontramos nela afirmações enfáticas: “Purifica-me, lava-me, faze-me ouvir júbilo e alegria, cria em mim um coração puro, renova dentro em mim um espírito inabalável, apaga as minhas transgressões, restitui-me a alegria da salvação, sustenta-me com um espírito voluntário, livra-me dos crimes, abre meus lábios”. Ao suplicar pelo milagre de um coração puro, Davi usa a mesma palavra de Gênesis 1: Deus criando a partir do nada. Somente ele pode criar uma realidade diferente, uma nova criação. É exatamente o que Jesus veio fazer: “Eis que faço novas todas as coisas”. Deus não despreza um espírito quebrantado e um coração contrito. É somente com um temor sincero para com ele que podemos desenvolver uma compreensão clara sobre nós. É essa atitude que torna possível ao ser humano construir uma autoconfiança saudável.

 ::Ricardo Barbosa de Sousa