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2015-03-03

Ansiedade


Ansiedade
// Lagoinha

Em 1 Pedro 5.7 diz: “Lançando sobre Ele toda vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós”. Quais são os sintomas da ansiedade? Como podemos perceber no dia a dia se estamos ansiosos? Ela se manifesta de muitas maneiras: uma delas é a “apreensão”. Falta alegria, não há sorriso, mas muita tensão. É difícil ver o brilho nos olhos de uma pessoa ansiosa, um sorriso, uma gargalhada, pois ela vive esmagada pela ansiedade.

Outra característica da ansiedade é o “medo”. A pessoa ansiosa não tem somente medo do cobrador que vai bater à sua porta, mas tem a vida caracterizada pelo medo, age como se estivesse sendo consumida por este sentimento. Tem medo até de dar um passo e tomar determinadas atitudes. Existem pessoas que não se casam por medo. A ansiedade provoca na pessoa um desgaste tão terrível que a leva a outro sintoma ainda mais doloroso, o desespero.

A ansiedade provoca fadiga, causando também insônia. Um dos medicamentos mais vendidos hoje é para a ansiedade, para se conseguir dormir. O ansioso tem dificuldade de concentração, sintomas físicos como taquicardia, dor de cabeça, tontura, diarreia, indigestão, falta de ar, boca seca, pele fria, palidez e outros.

A Palavra diz em 1 Pedro 5.7 que devemos lançar sobre o Senhor toda a nossa ansiedade. Às vezes queremos carregar sobre os nossos ombros aquilo que Jesus já carregou. Mas não é para ficarmos nos matando com uma situação, devemos lançar sobre o Senhor. A vontade de Deus é que possamos viver livres, soltos, leves. Não é para termos uma vida pesada, a fé cristã não é um fardo. Jesus disse: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve” (Mt 11.28-30).

Devemos lançar sobre o Senhor o nosso fardo. E não somente o que aos nossos olhos parece grande, mais difícil, mas também as pequenas coisas que precisamos resolver, Deus se importa conosco nas pequenas coisas. O Salmo 127.2 diz: “Inútil vos será levantar de madrugada, repousar tarde, comer o pão que penosamente granjeastes; aos seus amados ele o dá enquanto dormem”. Deixe Deus trabalhar em sua vida. Muitos não dormem e estão tentando resolver os problemas e outras coisas pela força dos próprios braços. Não significa que devemos ser irresponsáveis e não cumprir com as nossas obrigações. Porém, o inimigo quer insuflar as nossas obrigações a ponto de se tornarem um fardo e assim nos acostumamos a viver cansados, indispostos, com relacionamentos desgastados. Mas a Palavra diz que isso é inútil.

Amado (a), inútil é tentar enxugar o gelo, impossível. A Bíblia diz: “O homem não pode receber coisa alguma se do céu não lhe for dada” (Jo 3.27). Muitas confusões acontecem na nossa vida por que fazemos o que Deus não nos mandou fazer. E somos responsáveis pelas nossas escolhas. Um exemplo é quando você compra uma casa com o dinheiro que não tem e nem pode arcar com as prestações mensais ou faz um empréstimo para poder viajar de férias. Não age de acordo com a vontade de Deus, trazendo a ansiedade para a sua vida. Precisamos sempre depender, pedir a direção do Senhor: “Senhor, devo fazer este negócio? Devo fazer esta viagem? Devo assumir este emprego?” Quando você entrega seu caminho ao Senhor, precisa confiar Nele, pois Ele tudo faz para o seu bem. Quando você caminha tendo essa confiança, de que Deus o mandou fazer algo, há convicção da vontade de Deus, então você vai ter a provisão, pode seguir adiante que Ele estará com você. Entretanto, muitas vezes queremos fazer tudo sozinhos e ficamos dando “cabeçadas”, fazemos outros sofrerem por causa da nossa autossuficiência. Agora é hora de vivermos na dependência total do Senhor.

::Pr. Márcio Valadão

Que noite!


Que noite!
// Lagoinha

Talvez tenha sido na primeira quinta-feira de abril do ano 33 da era cristã, dia 2, se a cronologia de Harold Hoehner estiver correta. Não foi uma noite maldormida. Foi uma noite não dormida. A noite inteira, das 6 da tarde às 6 da manhã. Paulo tornou-a muito conhecida ao se referir a ela como “a noite em que Jesus foi traído” (1Co 11.23). Os dois primeiros evangelistas dizem que Jesus se reuniu com os doze apóstolos em um amplo e mobiliado cenáculo em Jerusalém “ao anoitecer” (Mc 14.17, NVI). Afirmam também que “de manhã bem cedo”, o conselho dos principais líderes religiosos do povo judeu o condenou à morte (Mc 15.1). Entre o anoitecer e o clarear do dia seguinte, o que aconteceu com Jesus?

Essa noite, o Senhor caminha do cenáculo ao Monte das Oliveiras, do Monte das Oliveiras à casa de Anás e da casa de Anás à casa de Caifás. Ele está na companhia dos doze apóstolos, na companhia do anjo do céu que o conforta, na companhia de uma grande multidão armada de espadas e varas e na companhia dos chefes dos sacerdotes e anciãos do povo. O Senhor está sob a laje de uma casa emprestada, ao ar livre no Jardim do Getsêmani e sob o teto do palácio de Caifás. A reunião dirigida por Jesus no cenáculo só não é maior que a reunião dirigida por Paulo em Trôade (At 20.7-11).

Começa com a refeição da Páscoa e com a instituição da Santa Ceia. Para ilustrar a prática da humildade mútua, Jesus levanta-se de repente da mesa, tira a capa de cima, coloca uma toalha em volta da cintura, derrama água numa bacia, lava os pés de seus discípulos e enxuga-os com a toalha. Em seguida, faz a revelação do traidor secreto, oferecendo-lhe, como sinal, um pedaço de pão molhado na tigela que contém caldo de carne. É obrigado a ouvir a cínica pergunta de Judas: “Acaso sou eu, Mestre?” (Mt 26.25).

Na mesma ocasião, Ele prediz a tríplice negação e a restauração de Pedro. Assume também o compromisso de enviar-lhes outro consolador, o Espírito Santo, que os lembrará de tudo o que Ele lhes tem dito. Apresenta-se como o caminho, a verdade e a vida, e como a videira verdadeira. Encoraja a oração, a permanência nele, o amor mútuo e a produção de frutos. Transmite a seus discípulos amor, paz, segurança, consolo e alegria. Promete voltar algum dia mais na frente. E, para completar, Jesus levanta os olhos ao céu e ora a Deus por si mesmo, por seus discípulos e por todos aqueles que crerão nele por meio da mensagem por eles pregada. A longa e tranquila reunião termina com um hino, sem dúvida, um dos Salmos.

Então Jesus e os onze apóstolos seguem para o Jardim do Getsêmani, no Monte das Oliveiras. Já é bem tarde da noite. O quadro muda bruscamente no Jardim do Getsêmani. Jesus é tomado de uma tristeza atroz. Ele não esconde suas emoções e pede o auxílio de seus discípulos: “A minha alma está profundamente triste até a morte. Fiquem aqui e vigiem comigo” (Mt 26.38). Afasta-se um pouco, põe-se de joelhos na relva e ora uma vez, duas vezes, três vezes, as mesmas palavras: “Meu Pai, se for possível, afasta de mim este cálice, contudo, não seja como eu quero, mas como tu queres” (Mt 26.39). É aí que o Senhor mistura o suor com sangue (Lc 22.44). Os discípulos não entendem sua agonia nem conseguem vencer a soneira. Eles falham, mas Deus não falha: “Apareceu-lhe então um anjo do céu que o fortalecia” (Lc 22.43).

Se haviam participado do anúncio do nascimento a Maria, a José e aos pastores, se haviam orientado a José quanto às intenções de Herodes, o Grande, e se haviam servido Jesus logo após a tentação, por que não poderiam os anjos confortá-lo agora? Jesus diria, instantes depois, que poderia rogar ao Pai, em seu auxílio, a presença de mais de doze legi- ões de anjos, algo em torno de 72 mil anjos, caso quisesse (Mt 26.53). A cena no Jardim do Getsêmani termina com a abrupta chegada de uma multidão que carrega armas e tochas acesas, tendo o traidor à frente. Seguese o desconfortável beijo de Judas. Este o chama de Mestre e Jesus o chama de amigo (Mt 26.50). Pedro saca e usa a espada. Jesus realiza sua última cura: reimplanta a orelha de Malco (Lc 22.51).

Todos os discípulos fogem e Jesus é amarrado e levado à casa de Anás (Jo 18.12). A noite desta quinta-feira ainda não terminou. Jesus é interrogado por Anás, sogro de Caifás, o sumo sacerdote deste ano. Durante o interrogatório, recebe a primeira das muitas agressões físicas que receberá pela madrugada: um dos guardas lhe dá uma bofetada (Jo 18.22). Logo depois é levado ao palácio de Caifás e comparece perante o Sinédrio. Novo interrogatório. As testemunhas subornadas não se saem bem. Como Jesus se declara o Cristo, o Filho de Deus, Caifás dá por encerrada a sessão e Jesus é considerado réu de morte por blasfêmia. Então, alguns lhe cospem no rosto, outros lhe dão bofetadas e murros, e começam a zombar dele.

Nesse ínterim, Pedro nega o Senhor três vezes. Entre a segunda e a terceira negações há um intervalo de mais ou menos 1 hora (Lc 22.59), que o apóstolo bem poderia aproveitar para refletir melhor sobre sua conduta vergonhosa. Depois da terceira negação o galo canta. Jesus não está muito distante de Pedro e olha para ele sem dizer-lhe uma palavra sequer. Então Pedro se retira e busca um lugar para chorar amargamente. A essa altura, o dia começa a clarear, pondo fim à sofrida e interminável noite. É admirável que Jesus tenha se conduzido sem pressa e com toda tranquilidade durante a reunião do cenáculo, sabendo muito bem o que lhe estava reservado dali para frente. Foi nessa noite, nesse lugar e nessas circunstâncias que nasceu a mais solene cerimônia do Cristianismo católico-romano, ortodoxo e protestante: “O Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão e, tendo dado graças, partiu-o e disse: ‘Isto é o meu corpo, que é dado em favor de vocês; façam isto em memória de mim’. Da mesma forma, depois da ceia Ele tomou o cálice e disse: ‘Este cálice é a nova aliança no meu sangue; façam isto, sempre que o beberem, em memória de mim’” (1Co 11.23-25, NVI).

:: Ultimato

Descanse


Descanse
// Lagoinha

Eu, porém, na justiça (retidão, equidade e posição correta diante de Ti) contemplarei a tua face; quando acordar; eu me satisfarei com a tua semelhança [tendo uma doce comunhão contigo]. (Salmos 17.15).

Ao entardecer, o Sol se põe sobre todos os nossos problemas e sobre as falhas que cometemos naquele dia. Mas algo maravilhoso acontece enquanto dormimos: o Senhor nos dá descanso físico, mental e emocional. Somos renovados e revigorados para enfrentar o dia seguinte.

Hoje podemos despertar com os mesmos problemas que tínhamos quando fomos deitar, coisas que no dia anterior os fizeram sentir que não podíamos mais suportar. Mas se alguma forma, hoje, após um descanso e sono apropriados, pensamos: Eu posso prosseguir, eu posso enfrentar isso normalmente. Deus promete renovar nossas forças enquanto descansamos nEle.

2015-03-02

Permaneça fluindo


Permaneça fluindo
// Lagoinha

“Na torrente das tuas delícias lhes dás de beber. Pois em ti está o manancial da vida; na tua luz, vemos a luz. Continua a tua benignidade aos que te conhecem, e a tua justiça (salvação), aos retos de coração” (Salmos 36.8-10)

Nunca fui muito inclinada a nadar. Posso não ser a melhor para nadar contra a corrente, mas posso flutuar. É maravilhoso simplesmente confiar nas águas para nos fazer boiar e seguir com a corrente. Podemos confiar em Deus para nos manter flutuando através das correntezas e levar-nos a águas tranquilas.

A Bíblia diz que a misericórdia e a benignidade de Deus são “novas a cada manhã” (veja Lamentações 3.22-23). Sua misericórdia não está simplesmente ali esperando por nós, mas também se torna nova, fresca, fluente e poderosa a cada novo dia. Precisamos entrar na corrente do rio da vida de Deus cada novo dia e aprender a fluir no poder da Sua presença.

Orando pela misericórdia de Deus


Tem misericórdia de mim, ó Deus, por teu amor; por tua grande compaixão apaga as minhas transgressões. [Salmos 51.1]

Naturalmente pensamos: “Estou atemorizado por saber que Deus está me vendo, então não posso procurar ajuda no céu. Eu sei que sou pecador e que Deus odeia o pecado. Como posso orar?”. Com esses pensamentos, começa uma intensa batalha dentro de nós. Por saber que somos pecadores, podemos pensar que é preciso adiar a oração até nos sentirmos dignos. Ou então olhamos para outras pessoas, buscando nos assegurar de que fizemos boas obras o suficiente para confiarmos em nossa própria dignidade. Somente então oramos: “Deus, tenha misericórdia de mim”. Mas nascemos em pecado. Se tivéssemos de esperar nos sentir puros e livres de todo pecado para então orarmos, nunca oraríamos.

Devemos nos desfazer desse tipo de pensamento não cristão. Quando estivermos cercados da nossa própria pecaminosidade – mesmo enquanto afogamos em nossos pecados –, devemos clamar a Deus, assim como Davi fez nesse salmo. Então não precisaremos adiar nossa oração. Para que serviriam as palavras “Tem misericórdia de mim, ó Deus, por teu amor”, se as únicas pessoas que as pronunciassem fossem puras e não precisassem de qualquer misericórdia? Não importa quão pecaminosos nos sintamos, devemos nos encorajar a clamar a Deus: “Tem misericórdia!”.

Com a minha experiência, eu aprendi que, muitas vezes, orar é a coisa mais difícil de se fazer. Eu não me considero um mestre em oração. Na verdade, admito que, por várias vezes, disse estas palavras friamente: “Deus, tenha misericórdia de mim”. Eu orei assim porque estava preocupado com minha própria indignidade. Até que o Espírito Santo me convenceu: “Não importa como você se sinta, você deve orar!”. Deus deseja que oremos e ele deseja ouvir as nossas orações – não porque sejamos dignos, mas porque ele é misericordioso.

>> Retirado de Somente a Fé – Um Ano com Lutero. Editora Ultimato.

2015-03-01

O que significa dizer "eu te amo"?


O que significa dizer “eu te amo”?
// Lagoinha

“Eu te amo” é uma frase simples, comum de ouvir. Mas será que as pessoas sabem o verdadeiro significado dessa afirmação?

Posso dizer que, depois de tanto tempo dizendo isso, só hoje entendo o peso e o valor dessas três palavrinhas.

A passagem bíblica de 1 Coríntios 13.4-7 define detalhadamente o amor: “o amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal. Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta”.

Precisamos entender que, quando dizemos “eu te amo”, estamos dizendo “eu sofro, mas eu te faço o bem”, “eu não tenho inveja de você”, “eu não te trato sem pensar”, “eu não tenho atitudes precipitadas”, “eu penso antes de falar para não te magoar”, “eu não te desprezo”, “eu renuncio meus interesses”, “eu não me irrito com você”, “eu não suspeito o mal”, “eu não faço injustiça nem minto”, “eu sofro com você”, “eu creio que tudo dará certo”, “eu creio na sua capacidade”, “eu espero”, “eu suporto tudo”.

Agora, a questão é: o amor que tantas pessoas dizem que sentem tudo sofre, tudo crê, tudo espera, e tudo suporta? Esse tipo de amor, descrito em 1 Coríntios 13, é natural do ser humano? Não mesmo. O amor humano é corruptível, pode se transformar em ódio da noite para o dia.

Ele é carnal. E quando a carne sofre, o amor acaba, e só resta o ódio, a vontade de fazer justiça com as próprias mãos. O desespero toma conta e queremos agir com leviandade, ou seja, queremos agir sem julgarmos a situação, sem refletirmos antes. O amor humano é esquecido rapidamente, basta alguém “pisar no seu calo”. Basta os defeitos das pessoas começarem a aparecer. Basta a situação começar a “ficar feia” para ele ser colocado de lado e ser dado lugar à raiva e ao ódio. Enquanto está tudo belo, tudo lindo, tudo perfeito, há amor. Mas quando a coisa aperta, ele some num piscar de olhos. Enquanto o ser humano tem dinheiro, saúde, alegria, bens materiais, entre outras coisas, ele ama Deus e o mundo. Mas se passa por uma provação, momento de tensão, o primeiro a ser esquecido é o amor, o amor humano.

Sabe qual é o único amor incorruptível, que não leva em conta nenhuma injustiça sofrida, que perdoa o próximo, que deixa para trás aquilo que o fez sofrer, que não julga o outro pelo que ele fez de errado ou pelo que ele é, que faz o bem não importa a quem? É o amor do tipo de Deus. Esse é o único amor que tudo sofre e, ainda assim, não é corrompido. É o único amor que perdoa qualquer injustiça sofrida, seja a pior que for.

Talvez você pense: “Não consigo perdoar alguém que cometeu uma injustiça contra mim ou contra alguém que amo” ou “posso até perdoar, mas é ela pra lá e eu pra cá”. Isso é perdoar com amor humano. Porque, quando se perdoa com o amor de Deus, a injustiça sofrida não é levada em conta. Aí, você diz: “Mas eu não sou Deus”. E eu digo que você pode, sim, amar como Ele ama.

A Palavra de Deus diz em Romanos 5.5: “[...] porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado”.

Se você tem o Espírito Santo de Deus, você também tem o amor Dele dentro de você. Ele só precisa ser colocado em prática, em operação. Você pode amar como está descrito em 1 Coríntios 13, basta começar a praticar isso todos os dias. Aos poucos, você começará a entender que amar com o amor do tipo de Deus é a melhor escolha.

:: Dayane Cristina

Vestes de alegria em vez de pranto


A vida é o percurso que fazemos do berço à sepultura. Nessa jornada escalamos montanhas altaneiras, descemos a vales profundos, atravessamos pinguelas estreitas sobre pântanos perigosos e cruzamos desertos tórridos. Aqui e ali encontramos alguns oásis, alguns jardins engrinaldados de flores, alguns prados verdejantes. Porém, vivemos num mundo hostil, marcado pelo pecado e pela rebelião contra Deus. Não estamos em casa. Aqui não é o nosso lar permanente. Somos peregrinos. Mesmo quando celebramos nossas vitórias, temperamos nossas alegrias com lágrimas amargas que rolam pelo nosso rosto.

Ah, a vida, de fato, não é indolor! Enquanto caminhamos rumo ao lar, enfrentamos ameaças que vêm de fora e pressões que brotam de dentro. Somos acuados por muitos inimigos e ameaçados por muitos perigos. Nessas horas, sentimo-nos tristes, abatidos, achatados debaixo do rolo compressor da angústia. As lágrimas quentes molham nosso rosto e inundam nossa alma. Um manto cheio de cinza nos cobre da cabeça aos pés. Morre em nossos lábios os vivas de júbilos. Nossos recursos acabam e nossas forças entram em colapso.

Mas é exatamente quando nos sentimos totalmente desprovidos de forças, que Deus irrompe em nossa história e faz uma poderosa mudança. Ele converte nosso pranto em folguedo. Ele arranca o nosso saco de cinza e nos cinge com vestes de alegria. Ele tira os nossos pés de um tremedal de lama e nos coloca sobre uma rocha firme. Ele afasta de nossos lábios os gemidos pungentes e enche nossa boca de alegres cânticos. Deus levanta nosso espírito abatido e nos inspira a cantar louvores até mesmo nas noites mais escuras da alma. Essa mudança não procede da meditação transcendental, mas vem daquele é que é transcendente, o Deus Todo-poderoso. Essa mudança não é operada pelo homem, mas vem do próprio Deus. Não procede da terra, mas desce do céu. Não vem da psicologia de auto ajuda, mas emana da ajuda do alto.

O salmista nos mostra essa gloriosa mudança operada por Deus em sua vida: “Converteste o meu pranto em folguedos; tiraste o meu pano de saco e me cingiste de alegria, para que o meu espírito te cante louvores e não se cale…” (Sl 30.11,12). Talvez, hoje sua alma está abatida. Talvez suas noites têm sido tenebrosas. Talvez suas lágrimas têm sido o seu alimento. Não desanime. Não entregue os pontos. Não jogue a toalha. Deus pode irromper em sua vida, dar um sinal de seu favor à sua família, manifestar a sua glória dentro de sua casa e transformar, também, seu choro em alegria, seu espírito angustiado em cânticos de louvor. Lembre-se: o choro pode durar uma noite inteira, mas a alegria vem pela manhã, pois aquele que um dia enxugará dos nossos olhos toda a lágrima, por antecipação, já nos dá sinais de seu consolo aqui e já nos mostra vislumbres de sua glória!