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2014-06-07

Escravos a mais


Escravos a mais
// Lagoinha

"Porque o amor do dinheiro é a raiz de todos os males; e alguns , nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores" (1Timóteo 6.12)

amor ao dinheiro

Um nobre brasileiro, nos tempos do Brasil Império, comprara uma bela fazenda de "porteira fechada" no estado do Rio de Janeiro. Ao tomar posse da terra, porém, verificou que um considerável número de escravos estava além do que constava nos papéis de registro. O novo proprietário não sentia liberdade de usar os serviços daqueles aos quais não comprara. Decidiu então algo inédito para aqueles tempos. Concedeu alforria a todos eles, isto bem antes de se pensar em abolição da escravatura em nossa pátria. Ele poderia pensar em lucro, vendendo esses escravos ou usando seus serviços. Entretanto, a nobreza de seu caráter lhe apontava valor bem mais precioso do que o dinheiro ou lucro: uma consciência limpa e honesta.

O verdadeiro cristão tem seu coração colocado nas "coisas que são do alto e não nas que são aqui da terra", como nos diz o apóstolo Paulo (Colossenses 3.1-3). Tormentos, insegurança e ciladas aguardam os que colocam como alvo das suas vidas o ouro, a prata ou os bens materiais. "Onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração", disse Jesus. Que o seu tesouro esteja no céu! Lá "os ladrões não escavam nem roubam; a ferrugem não corrói e a traça não pode destruir o que é eterno." Não compensa manter "escravos" que não nos pertencem. Vale a pena ser honesto e ter, não somente aqui uma consciência tranquila, mas também lá na glória, um galardão garantido.

 ORE: "Pai, Te louvamos e bendizemos por tão grande amor em nos dares teu Filho Jesus para ser o nosso Salvador. Ele é mais valioso para nós que todos os tesouros do mundo. Faça-nos sempre contemplar essa verdade maravilhosa. Amém!"

::Ângela Valadão Cintra







2014-06-06

Só por causa do Senhor


Só por causa do Senhor

sexta-feira
sexta-feira

Por causa do Senhor, sejam obedientes a toda autoridade humana: ao Imperador, que é a mais alta autoridade. (1Pe 2.13)

Embora não tenham escrito suas cartas no mesmo gabinete de trabalho e na mesma ocasião nem sob a direção de um mesmo editor-geral, Pedro, Tiago, Paulo, João e Judas não se contradizem. No que diz respeito às autoridades constituídas, por exemplo, Paulo assinaria embaixo de tudo o que Pedro escreveu sobre o assunto.

O que Pedro ensina é o respeito, a obediência, a submissão, a subordinação dos cristãos, tanto ao Imperador romano, a mais alta autoridade debaixo de Deus, como aos governantes menores. O que causa impacto é que, na época, Nero, o cruel e incansável perseguidor dos cristãos, era o imperador romano (de 54 a 68 d.C.). Tanto Pedro como Paulo sofreram prisão (caso de Paulo) e martírio (caso de Pedro) sob a dominação de Nero, que foi chefe supremo do vasto Império Romano por quatorze anos.

Pedro começa a sua exortação com as palavras "por causa do Senhor" ou "em atenção ao Senhor". Nem sempre a submissão aos chefes do Estado é algo fácil e compensador. Quase todo governo, além de não oferecer a segurança necessária, é omisso na recompensa daqueles que são cidadãos corretos e responsáveis.

A informação de Paulo de que "nenhuma autoridade existe sem a permissão de Deus" (Rm 13.1) ajuda os cristãos a se sujeitarem a ela com mais segurança. Não há nenhuma passagem explícita recomendando ou autorizando a desobediência civil. No entanto, essa possibilidade existe e é até mesmo galardoada por Deus caso haja de fato choque entre a autoridade divina e a autoridade humana. Foi em atenção a Deus que as parteiras Sifrá e Puá não obedeceram à ordem do rei do Egito para matar todo bebê do sexo masculino das mulheres israelitas (Êx 2.15-21). Graças a essa desobediência civil, Moisés não foi morto ao nascer e tornou-se o grande servo de Deus. O próprio Pedro não obedeceu às autoridades civis e religiosas quando elas não queriam que ele fizesse o que Deus lhe mandou fazer.

– Obediência às autoridades pode ser virtude ou covardia!


>> Retirado de Refeições Diárias com os Discípulos. Editora Ultimato.


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Deus entende


Deus entende
// Lagoinha

Grande é o nosso Soberano e tremendo é o seu poder; é impossível medir o seu entendimento. (Salmos 147:5)

Eu não creio que falo com muita eloquência, e talvez não ache que sua maneira de se comunicar seja muito sofisticada também. Já não me preocupo  mais com a maneira como me expresso quando falo com Deus; simplesmente digo ao Senhor o que está no meu coração – e digo exatamente o que é – de maneira clara, simples e direta. Essa é a maneira como Ele fala comigo. Não tento impressioná-lo, apenas tento compartilhar o que está no meu coração com Ele – e posso fazer isso melhor quando estou simplesmente sendo eu mesma.

Deus nos fez do jeito que somos, então precisamos nos aproximar Dele sem fingimento e sem achar que temos de nos expressar de certa maneira para que Ele nos ouça. Desde que sejamos sinceros, Ele ouvirá. Ainda que o que esteja no nosso coração não possa ser traduzido, mesmo assim Ele ouve e entende o que é. Um coração voltado para Ele precioso aos Seus olhos e Ele ouve até as palavras que não podem ser pronunciadas. Às vezes estamos sofrendo demais para orar e tudo que podemos fazer é suspirar e gemer- e Deus entende até isso. Você pode ser consolado hoje sabendo que Deus entende e ouve tudo que você diz a Ele.

A PALAVRA DE DEUS PARA VOCÊ HOJE: Deus ama a autenticidade;quando você orar, seja você mesmo.







2014-06-05

Convicção


Convicção
// Lagoinha

"Sadraque, Mesaque e Abede-Nego responderam ao rei: Ó Nabucodonosor, não precisamos defender-nos diante de ti. Se formos atirados na fornalha em chamas, o Deus a quem prestamos culto pode livrar-nos, e ele nos livrará das suas mãos, ó rei. Mas, se ele não nos livrar, saiba, ó rei, que não prestaremos culto aos seus deuses nem adoraremos a imagem de ouro que mandaste erguer" (Daniel 3.16 a18).

vencedor 3

Como as coisas estão mudando rápido, não é mesmo? Os meios de comunicação, a moda, a tecnologia… Piscamos e o celular que era de última geração já ficou ultrapassado. E, infelizmente, a compreensão do certo e errado, que até pouco tempo tinha limites bem definidos, está cada vez mais maleável. Uma muralha de gelatina.

Aprendi que a palavra "ostentação" era um termo pejorativo, mas hoje se tornou sinônimo de status. Cresci certa que ficar com o troco a mais e não devolvê-lo era errado, mas hoje quem devolve é chamado de "idiota". Declarar a opção por não fazer sexo antes do casamento era normal, hoje é declarar-se um extraterrestre cafona. Ser obediente aos pais, reconhecer a autoridade com atitudes, pedir desculpas, ser gentil… Qualidades que a cada dia são tomadas como defeitos.

Nossos valores estão invertidos. Aos poucos, conceitos distorcidos vão entrando nas nossas atitudes e sem perceber começamos a aceitar por normal o que sempre condenamos. Seguimos a multidão. Na Babilônia a multidão concordou em se dobrar diante de uma estátua de ouro, apesar de muitos deles saberem que aquilo ofendia o mandamento de Deus, mesmos assim optaram pelo caminho mais cômodo: o senso comum.

Mas três amigos disseram não! Mesmo sabendo que isso resultaria na pena de morte. Eles não negociaram seus princípios e preferiram ir para a fornalha com seus valores intactos do que ficar na posição confortável com a multidão. O que eles descobriram, quando disseram não ao erro que todos apoiaram, é que não estavam sozinhos. Deus estava na fornalha com eles, aprovando a convicção de cada um. Deus também escolheu a fornalha!

O senso comum? A multidão?  Quem disse que a voz do povo é a voz de Deus? Comprometa-se!

::Nilma Gracia Araujo







2014-06-04

"Seja feita a tua vontade"


“Seja feita a tua vontade”
// Lagoinha

Há uns anos, assisti a um documentário sobre os mosteiros no Brasil e me chamou atenção a conversa entre o repórter e um jovem monge. O repórter perguntou qual era a maior dificuldade que ele enfrentava no dia a dia dentro de um mosteiro. O jovem respondeu que não era o voto de castidade, como muitos pensavam, mas o voto de obediência.

Jesus nos ensina a suplicar dizendo: “Seja feita a tua vontade assim na terra como no céu”. Essa súplica implica o reconhecimento e a aceitação da revelação de Deus nas Escrituras, uma vez que a vontade de Deus é o conteúdo daquilo que nos foi revelado na Palavra dele. Não se trata de saber se é a vontade de Deus que eu faça este ou aquele curso, ou se devo mudar para esta ou para aquela cidade. Trata-se do conteúdo moral, ético e espiritual dos mandamentos e dos propósitos de Deus que constituem a norma de vida e conduta.

Quando oramos com essa súplica em mente, entramos num conflito entre a nossa velha e corrompida natureza, com suas vontades e caprichos, de um lado, e a vontade boa, perfeita e agradável de Deus, de outro. A aventura da oração é o longo caminho que nos leva a submeter a nossa vontade à de Deus. Nesse caminho, aprendemos a dizer “sim” para Deus e não para nós. É a aceitação de que Deus é quem tem a iniciativa para a nossa vida. É a abertura do coração e da mente para a entrada do céu na terra.

Quando oramos assim, em vez de virar as costas para o mundo, voltamos nosso rosto para ele. Essa oração nos ajuda a ver a vida com grande realismo. Aprendemos a olhar para o mundo e o ser humano como o Criador olha para eles. Sem essa oração, o que vemos é apenas um mosaico de desejos e escolhas de indivíduos voluntariosos e rebeldes. O pecado é a grande realidade que nos mantém cegos. Quando negamos o pecado, nós nos tornamos vítimas de um otimismo frágil, inconsistente e, muitas vezes, desesperador em relação ao ser humano, à sociedade e à vida.

Jesus certa vez disse: “Não procuro a minha própria vontade, e sim a daquele que me enviou”. Por que era tão decisivo para Jesus compreender e realizar a vontade do Pai? A resposta está na oração do jardim do Getsêmani: “Meu Pai, se possível, passe de mim este cálice! Todavia, não seja como eu quero e sim como tu queres”. A vontade de Deus trouxe grande sofrimento e, finalmente, a morte ao Filho de Deus. Porém, a obediência dele realizou a libertação e a salvação de todo o que nele crer. Foi a vontade de Deus e a obediência do Filho de Deus que trouxeram ao mundo a grande verdade do propósito divino.

Santo Agostinho dizia que “Deus é como o médico: não atende aos desejos do doente; atende apenas às exigências da saúde”. Para ele, a vontade é a força por meio da qual se erra, ou se vive em retidão. Submeter-se à vontade de Deus é viver a partir da realidade do mundo de Deus, um mundo de justiça, verdade e amor.

Por isso, o jovem monge reconheceu que a obediência é a virtude mais difícil. Porém, é por meio dela que nos tornamos verdadeiros. Nas palavras de C. S. Lewis, “Só há duas espécies de pessoas no final: as que dizem a Deus: ‘Seja feita a tua vontade’, e aquelas a quem Deus diz: ‘A tua vontade seja feita’”.

:: Ricardo Barbosa de Sousa – Revista Ultimato

2014-06-03

Somos todos adotados


Somos todos adotados
// Lagoinha

Porque Deus nos escolheu nele antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis em sua presença. Em amor nos predestinou para sermos adotados como filhos por meio de Jesus Cristo, conforme o bom propósito da sua vontade. (Efésios 1:4-5)

Quando conheci meu marido Dave, eu tinha vinte e três anos e um bebê de nove meses fruto de um casamento que terminou em divórcio por causa do adultério e do abandono do meu primeiro marido.

Quando Dave me pediu para casar com ele, respondi: "Bem, você sabe que tenho um filho, e se você ficar comigo, vai ter de ficar com ele".

Dave me disse algo maravilhoso: "Não conheço seu filho muito bem, mas sei que amo você e também vou amar qualquer coisa ou qualquer pessoa que seja parte de você".

As pessoas ficam absolutamente impressionadas quando descobrem que David é adotado. Elas dizem continuamente como ele se parece com o "pai", o que é fisicamente impossível porque ele não tem o gene de Dave.

Quando Deus nos adota como Seus, Ele quer nos ajudar a nos parecermos com Ele de uma maneira notável. Não nos parecemos com Ele antes da nossa adoção, mas assim como as crianças adotadas começaram a assumir os traços de seus pais adotivos, começamos no nosso relacionamento com Ele.

Quando fui adotada na família de Deus, eu não agia em nada como o meu Pai celestial, mas mudei com os anos e espero que as pessoas agora consigam ver novos aspectos do meu Pai em mim. Cresci em amor, paciência, graça para com os outros, gratidão e muitas outras coisas. Deus quer realizar as mesmas mudanças na sua vida e na vida daqueles a quem você ama.

A PALAVRA DE DEUS PARA VOCÊ HOJE: você está sendo moldado diariamente à imagem de Deus.


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O mais longo caminho de volta | Devocional diária

O mais longo caminho de volta

terça-feira
terça-feira

Vou me arriscar a adivinhar como esse trecho do livro deve ter afetado meus leitores em geral. Minha hipótese é de que existem leitores de esquerda que estão com raiva por eu não ter ido mais além naquela direção, e algumas da ala oposta, que ficaram com raiva por acharem que eu fui longe demais.

Isso nos faz dar de cara com o verdadeiro obstáculo de todo esse esboço de uma sociedade cristã. A maioria de nós não se aprofunda na questão para descobrir o que o cristianismo realmente diz; nos aprofundamos esperando achar no cristianismo um apoio para nossos próprios pontos de vista.

Assim, o que buscamos é um aliado que seja um Mestre ou um Juiz. Eu também sou assim. Há partes neste livro que eu preferiria simplesmente deixar de lado, e é por isso que discussões como essa não levam a nada, a não ser que percorramos um caminho ainda maior. Uma sociedade cristã não existirá enquanto a maioria de nós não a desejar verdadeiramente: e nós não a desejaremos enquanto não nos tornarmos plenamente cristãos.

Repetirei incessantemente: "Faça aos outros o que gostaria que fizessem com você". Porém, não tenho capacidade de cumprir essa declaração até que eu ame o meu próximo como a mim mesmo. E não posso aprender a amar assim enquanto não aprender a amar a Deus. E só posso aprender a amar a Deus, aprendendo a obedecê-lo. Como eu já o havia prevenido, acabamos conduzidos para algo muito mais interno — partindo de assuntos sociais, acabamos nos religiosos. Pois o caminho mais longo de volta é o mais curto para se chegar em casa.

>> Retirado de Um Ano com C. S. Lewis, Editora Ultimato.



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